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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Feliz ano 2015

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography


Por tudo que vivi e senti

Por tudo o que amei e desamei

Pela luz e pela sombra

Pelo sol

Pelos orixás do mar

Entrego-me a Yemanjá

Bebo a lua,
  o sal

A vida

 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Vivi


Não sei se de todas as lições vividas

aprendi a linguagem secreta da natureza

A intimidade dos homens.

Não sei se aprendi na luz e nas sombras

Ou se as vivi numa transição entre a verdade e a mentira.

Não sei se aprendi nos rituais da consciência

o elixir da vida eterna

Ou se inventei a pedra filosofal

Compus na comunhão com os homens, o poema

Que fez cair lentamente a tarde




(Reedição)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Incerteza



Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Agarrei pedaços de incerteza, 

com a certeza que um dia me encontraria 

numa lua nua.


Encontrei-me nas voltas da terra

Deixando para trás esse gosto ocre

E baptizei-me de vento e mar




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Felicidade



Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography?ref=ts&fref=ts

E eu que procurei a felicidade em tudo o que não tinha,
como se um dia agarrasse-a nas mãos
sem margem de fuga e nunca mais morresse.

Um dia prenhe de cansaço
entreguei-me ao dourado morno do ocaso
e nem os amores que morreram
ou os filhos que não nasceram,
afastaram o hálito da paz.

Nasceu-me luz pelos dedos
e nessa entrega sem condição
senti o sabor de terra e mar

E eu, que procurei a felicidade
Em tudo o que não tinha



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Mãe






Sabes mãe, apesar da tua morte

 o meu coração cresce em cada ano do teu aniversário.


Guardo a tua voz, o teu cheiro flor de jasmim, 

guardo o teu colo no meu jardim de rosas.


E o meu amor cresce e cresce,

 num coração onde cabe todas as estrelas em que eu te vejo .


Sabes mãe, eu sei que um dia encontrar-nos-emos

 na estrela mais brilhante do firmamento, 

por isso

 guardo as palavras que não te disse,

 palavras que o tempo não me deu tempo.


Mas,

 agora és a rosa mais viva do meu jardim.


Amo-te

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Noite



Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography


Longe vai a noite quebrando os muros do tempo e eu pego pedaços de prata caídos do céu.

Tento agarrar as sombras que os espelhos me devolvem num prazer nostálgico que só o sono, esse sono retardado, me entrega.

Levitam as flores sob a dança das estrelas alimentando-me a saudade do que foi o teu corpo, sombra perfumada nas sombras da noite.

Despojo-me no leito suado marcado de sonhos e é então que te sinto, aroma nocturno.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Escrevo (ou não) o amor

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography



Quero escrever amor, romântico ou não, incondicional ou não

Escrevo algo parecido com poesia, onde a emoção pinta as palavras e a maresia perfuma o papel 

deixando-me a pele com sabor a sal e a alma inquieta vagueando nas marés.

As palavras insistem em sair incertas, neste amor que transcende o carnal, inspirado no manto de 

sol que de dourado cobre a pele. 

E ainda assim, o canto dos lobos desperta-me para uma dúbia existência terrena, onde a vida 

escancarada me retorna o eco da montanha e eu tento, outra e outra vez, escrever o amor.

Podia escrever assim, simples, um pedaço de silêncio.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Humano em construção



Saía do umbral da nostalgia de encontro à luz do ventre onde me via

Construía nas ondas inquietas pedaços de mim

Sem que os perdesse nas marés vivas de um setembro morno

Caminhava, caminhava contando os passos

Sem pensar no que perdia, sem sentir o que mentia

Que mais poderei ver nesse destino se não um humano em construção



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Minha aldeia


Adicionar legenda

Aquela aldeia no norte da ilha mercê de marés caprichosas e montanhas ventosas, invadia-me a alma com uma nostalgia misteriosa ensinando-me a ler a poesia dos homens.

O murmulhar das árvores nas noites invernosas levavam-me para a rua em busca da lua, numa tentativa de fuga às velhas profecias das bruxas de então, e eu recebia a dose certa de solidão e amor, de tristeza e paz, num ritual que me conduzia à compreensão de mim.

Deixei um pedaço de mim no calhau das lapas e segui pelas ruas e cruzamentos. Todos me conduziram ao mesmo ponto: a certeza de ter vivido uma poesia por mim inventada, numa aldeia esquecida no norte da ilha.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Espera


Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography


 
Talvez se eu esperar o tempo parar

Tu chegues com o sol no olhar

E eu exista na tua pele

Ainda que enrugada por marcas de vida


Mas,

 todos os dias na hora marcada

Procuro respostas de ti na areia

E deito-me despida, vazia, caída

Alheia que estou à próxima maré



Lancei raízes pelo oceano

E só para ti nasceram as rosas



 
 
 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Estações

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography




Pregada na estação

A viuvez trazida no som dos carris
A saudade dorida na lenta espera

E esse comboio que não te encontra nas estações perdidas

Herói errante
Caminhante da vida

Desperta-me a melodia longínqua de um acordeão

Trazendo-me um velho tango

Numa dança mesclada de tristeza e paixão

No vazio entre um e outro comboio

Surpreendi a lua na estação vazia

E fugi, para curar a dor



quarta-feira, 28 de maio de 2014

AMOR




Porque um dia serei pó na brisa salgada

Que me leve o vento

na primavera,

Que ouçam os pássaros

o meu canto,

Entoem os sinos

a ave maria,

E eu nascerei desse pó salgado

Sorrirei nas flores do teu jardim
Falarei nas ondas da tua praia

E se um dia cantarem as sereias

Saberás que vivo eternamente


domingo, 4 de maio de 2014

Mãe



Eu podia morar nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe

Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia

Quem sabe ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono

Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite


terça-feira, 15 de abril de 2014

Desencontros

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography





Esta arte de perder-me nos cruzamentos

É a arte do desencontro

Desencontrei-me no cruzamento de vidas

Mesmo quando te encontrei na berma de um sonho
Carente que estava de sentir


Voltei ao labirinto perdendo-me entre a morte e a vida

Inseparável que estava da solidão


Talvez cure as asas feridas

E me encontre desses desencontros

Nos meus castelos de mar











sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vigília

Foto de Alvega Trindade




Navego de lua em lua
Fugindo ou não da futilidade
Procuro a melhor versão de mim
Calo a alma numa liturgia
Que me embala num sono inquieto
E esconde as mazelas da devoção cega
 
Na vigília, vivo da fome de mar
Companheira da ilha, cúmplice do vulcão


 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Não fosse essa poesia...




O remorso fundido na saudade




Vindo de uma morte que de morte viveu




O remorso de ter-te vivido em mim




Sem um adeus que só Deus me alivia









Queria eu morrer em cada lugar

E nascer em cada amanhecer 

Na terra e no mar

Necessários à dor


Ainda que nas tuas cinzas semeie gardénias

Faço-te criação da saudade

Enrosco-me na escravidão do remorso

Não fosse essa poesia que me recordas...






quinta-feira, 13 de março de 2014

Deixei as palavras



Deixei as palavras obscenamente silenciosas
Lancei-as no vácuo das almas sombrias

E escrevi solidão e silêncio

Num consolo fictício 


Não deixei as palavras falarem de mim

Caíram no papel gélido, procurando vida

Morreram, nasceram, partiram

Indiferentes que estavam ao pensamento


Eram só palavras

levando pedaços de mim

Sem nome nem rosto

Deixei as palavras à beira do porto

No adeus da próxima maré


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Destino





Fotografia de Joana Carvalho


Caminhámos

Pelas sombras impostas de uma vida bifurcada no pó da estrada.

Sombras de um destino escrito nas estrelas

Que a revolta da terra te crucificou

Sem que os signos do universo te conseguissem salvar


Se nem nas mais fervorosas orações inspiradas nas tormentas

Os deuses me ouviram devolvendo-te das sombras,

Se nem no momento eternizado pela fadiga do orgasmo

Saíste das trevas de uma noite sem som


O meu destino se deita no teu

Num existir sem leito,

Embalado no silêncio dos búzios 





sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Minha história





Com cal e sal construí a casa da minha história

Com sol e lua pintei os anos da vida

Criei o meu conto, o meu sono, o meu lar

Nesse era uma vez que continua 


Colori a ficção quando o dia nascia

Manchei a verdade quando via palácios

Deixei que a chuva me crivasse de lágrimas

Deixando-me esculpida na terra molhada


E eu que me supunha tão pobre

Deixei o amor rabiscar o meu conto

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Hoje quero só sossego

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography





Hoje quero só sossego.

Quem disse que quero ser feliz?

Quero apenas ser,

e nesse querer ser vou em busca de mim


Hoje quero a liberdade da criança

Aquela que vivia em busca de nada

Apenas querendo ser alegria

Hoje quero só sossego

Como se vivesse o último domingo


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sonho

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography?fref=ts

Talvez eu não fosse senão um sonho e tu alguma forma de energia que me envolvia nas insónias que rondavam as noites.

Na nossa floresta havia flores e céu e acordava-me o cheiro dos lírios com a fome de vida roçando-me a alma.

E se não somos senão sonho com um sonho de viver, esquecidos do tempo e do espaço, vivendo num lento entardecer, mergulhados numa felicidade tépida?

Talvez envolvendo-te no meu choro fazendo-te o meu eco, a floresta te devolva lembrando-me de viver.