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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Não sei amar de outra forma

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/


Não sei amar de outra forma.
Assim, simples, entre o prazer e a dor, entre a paz e a guerra, eu amo apaixonadamente. Não sei sentir sem paixão, não sei amar sem beleza, não sei viver sem amor. Seria tudo vazio e morto, túneis sem luzes, salões sem cores, vidas sem vida.
Assim, amo sem condições, em pleno deserto onde o nada nos transforma em tudo, onde a paixão nos eleva ao êxtase, onde tudo se unifica entre lágrimas e risos.
Não sei amar de outra forma, talvez não saiba te amar de tanto te amar



domingo, 29 de outubro de 2017

Alheamento



Por vezes vem essa necessidade de se alhear da terra, da vida, das mentiras e verdades.
Por vezes vem essa necessidade de mergulhar no nada, como se o nada fosse tudo e do tudo se fizesse nada, como se a vida e a morte fosse só uma e eu fosse um só com o Universo.
E eu sou, almas de várias existências, de longos e inúmeros carnavais, sou pó e carne, meretriz angelical, sou a encarnação da luz e das sombras no alheamento da dualidade.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Noites



Despedi-me dessa noite branca

Onde tudo se movia numa dança erótica

De ondas azuis com reflexos de luz

Onde a noite nos uniu no sono e no sonho

Onde o amor nos eternizou para além da carne

Despedi-me assim, sem dor e sem lágrimas

Num sentir de tudo e de nada

No vazio selvagem da tua partida

Porque, sabia eu

Voltarias outra noite,

e outra...e outra

Trazendo de volta esse pedaço de mim

Entre tantas outras luas


sexta-feira, 30 de junho de 2017

SONHO

Fanal - Madeira
De repente do sonho nasceu a luz, aquela que me fez descer à terra e viver o meu renascer.
De repente, no primeiro suspiro da vida que me deixou viver, eu voltei, feliz que estava de sentir o teu calor, ou o sussurrar da floresta mesmo em dias sem sol, ou os teus devas mágicos cantando a paz, ou mesmo as gotas de cristal em dias de tempestade que me limpavam a alma da escuridão.

E eu despertava com o cheiro dos lírios no lento entardecer do sonho.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ao Espírito da Terra

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?pnref=lhc




Ainda que nem sempre caminhe descalça
e não sinta o teu pulsar,
ainda que viva em ti de forma tão distraída
que não veja as tuas luas,
mesmo nas noites em que te fazes presente
de forma tão prateada.


Ainda que me sinta tão distante
quando a melancolia me invade
Mesmo assim,
nada te esconde de mim.


Basta a tua leve brisa
que me chega com cheiro de algas
ou o eco das tuas tempestades
com o perfume das chuvas do Norte,
ou mesmo a tua melodia
quando cantas nos trovões


Nada te esconde de mim
E eu desperto carinhosamente


Desperto para o teu amor




terça-feira, 9 de maio de 2017

Apetece-me amar



Hoje apetece-me amar

Talvez sentir amar mais do que falar

Apetece-me calar a razão fria

e entregar-me ao amor

Eternizar o orgasmo

mesmo no sono inconstante


E amar-te

mesmo no fim do cansaço

Hoje, agora, apetece-me amar

Mesmo depois do ontem

Mesmo sem o amanhã

Até que nasçam lírios no céu



terça-feira, 18 de abril de 2017

Seria o mar



Seria o canto das sereias entoando o teu tango, que me fez recolher em ti o meu medo de amar.

Seria o mar que trouxe o teu fado e me encantou no teu mundo