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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Silêncio




Há uma beleza inata nas palavras do silêncio,
como se de repente eu não precisasse de nada
se não desta brisa salgada que me enche o peito
e me faz esquecer que existem palavras

E este silêncio que faz de mim um poeta vazio
Refúgio incondicional de tudo o que vivo
Que me leva à condição de ser
Sem saber aquilo que sou

Amo a beleza do silêncio
A ignorância do vazio


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Carnaval



Sambavam, genuinamente descalços, embrenhados na melancolia dos tambores ao ritmo orgásmico de uma dança despida de pudores. Mergulhavam no esquecimento do que eram, bebiam do sonho um dia castrado, e dançavam, uma dança quase agonizante, num misto de prazer e dor, de quem ama até ao vazio da morte.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Morte

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts



Um dia a morte chega,

silenciosa e calma como a noite

Celebrando a beleza da vida,

Aquela que devias viver


Deixaste o amor escondido

na futilidade da posse

Deixaste a vida perdida

nas sombras do medo


Deixaste a primavera partir

Sem que nela colhesses as flores.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Destino






Era só agora, e tudo acontecia agora, sem amanhã, sem destino profetizado pelas bruxas. Eram felizes assim, só conhecendo o hoje. Crianças de pés descalços e sol no olhar, sem grades nem medos, com a inocente coragem do amor ainda virgem.
Riam como se não houvesse destino, dançavam nas chuvas mornas e beijavam nas noites mais belas do mundo, sem dor e sem saudade.
Eram crianças sem destino, de pés descalços e sol no olhar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Fuga



Não posso fugir de mim, ainda que ame com medo de amar e ressuscite o meu fantasma moribundo. Liberto a fenix de penas douradas e desenho palavras de vento, sempre que pinto o teu rosto na areia.

Um dia, deixarei a minha nudez reflectida na beira do porto, e vestir-me-ei de mar, apenas e só de mar, para poder te amar.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

É Natal



É Natal, e nós, deuses mergulhados numa teimosa amnésia

Só agora acendemos luzes nos templos negros

Como se o agora mergulhasse no eterno, num circulo sem vazio.

Mas, fomos feitos assim, com amor, para o amor

E sim, pode ser por toda a vida, por toda a morte

Por todos os Natais sem Natais.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Gaia

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts
Eu amo todas as coisas que sinto, sensações vindas de um tempo longínquo que nunca deixei de amar, sem mesmo saber. Algo que se mistura na terra e na pele, que me traz a nostalgia de uma antiga existência, que me abre o coração para os devas da floresta, para as sereias dos oceanos, que me faz procurar o canto das baleias.

Eu amo o espírito entranhado nas árvores, a linguagem dos ventos e das tempestades, a ternura da lua e o uivo dos lobos.

E nunca deixei de amar, sem mesmo saber.


Nunca deixei de viver, sem mesmo saber, tantas e tantas vidas em ti, Gaia.