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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amar



Queria eu ainda amar-te, sem adiar a saudade de tantas existências, do amor ancestral em amanheceres indecisos.
Via-te caminhar com pés de algas e cheiro de mar, de um qualquer horizonte pintado de purpura, ainda que renascendo da nostalgia da aurora atrasada.
Queria eu ainda amar-te, antes de descer a escuridão e cair a solidão, para não te adiar por mais um século.
Para ti escrevi a saudade, por ti adiei a morte.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Mulheres da Terra


Amam como quem ama no adeus

E choram nos orvalhos da madruga.

deusas ressuscitadas

Do cansaço, do desespero, da razão

Da beleza selvagem e da paixão dolorosa

Dos filhos paridos no medo do mundo

Elas,

Afrodites da terra e do mar

Dançantes em obscuros desejos

Por vós a poesia canta



quarta-feira, 21 de março de 2018

O Poema


E faz-se as palavras ao longo do poema
Quando o poeta tenta colorir de paz
As mais negras formas da vida
Trazendo a luz nas sombras das linhas

É o poema que vestido de poesia
Me envolve na homenagem à vida
Ainda que não raras vezes vestida de luto
Me entrego à beleza dessa harmonia

O poema é aqui na minha alma
Triste ou alegre em palavras incertas
Na busca do amor feito poesia
Na busca da vida esculpida em palavras

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Rostos

Fanal-Madeira - Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/

Eram rostos reflectidos nas águas das chuvas, belos, magros, com ou sem rugas, queimados pelos dias de intenso calor e geadas geladas.

Rostos na aldeia em dias de luz, perfeitos, com a sabedoria de quem vive ao sabor das estações sem nada pedir.

Faces de vidas, trazidas em cada ruga. Sorrisos alegres que se pretendiam tristes, olhares longínquos que se pretendiam próximos, verdes, transparentes ou baços, olhares de água, com ou sem expressão, com ou sem amor.


Eram rostos humanos de quem vive na mais genuína forma. 


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Viagem




Funchal


Mesmo caminhando

 já no cansaço do tempo

onde desgastei forças e sonhos

onde me iludi nas tramas encenadas

e deixei o coração lá longe

Mesmo assim,

para além da curva

pode haver o arco-íris 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Momentos de estranha lucidez



Nestes momentos de estranha lucidez, em que consigo distinguir entre o real e a fantasia, metáforas da vida ou simples realidade distorcida, formas de olhar e de saber, enxergo de repente a arrogância da humanidade.
Momentos de estranha lucidez, intérprete de diversas linguagens, onde o mais indígena se torna na maior verdade, onde a mais actual arrogância se torna na maior ignorância, e eu, qual alucinada de sonhos e fantasias, mergulho em mais uma cegueira temporária, como se a verdade não pudesse ser real.

Como se a verdade não pudesse ser real…

sábado, 30 de dezembro de 2017

E assim cai o tempo



E assim vai caindo o tempo sem que sinta na sua passagem as quimeras da vida que tanto coloriu os meus sonhos. E mais uma meia-noite saída do fantástico, em que tudo se torna cor, como se de repente o mundo adormecesse num sono inocente, e nós, humanos transformados em anjos temporários, brindamos à paz provisória.