quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Noite da alma



Na noite escura não reconheci o caminho
Como se a cegueira da visão me bloqueasse os sentidos
E as emoções não reconhecessem as cores.
Fechei o fluxo do amor e caminhei na berma do lago
Acompanhada da sombra nas águas vestidas de prata.

Reconheci o meu nome assim
vulnerável
Seria a ferida na minha essência
na prisão da minha liberdade.

Talvez se criar uma ponte
 que me leve à melodia longínqua da próxima primavera,
Eu consiga encontrar-me em ti.
E acenda uma luz na noite da alma.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Eu comigo


Foste tu a luz, naquela que seria a última caminhada pelo mundo. Como se de repente, toda esta parafernália de emoções se esvoaçasse no universo e se fizesse a bonança depois da tempestade e se invadisse de calma a tormenta.
Despi-me de trapos e mágoas, juntei cacos e migalhas, caminhei passo a passo sentindo a virgindade da terra e a nudez do tempo. Finalmente eu comigo.
Não fosse essa luz, com a particularidade de ser a tua, e seria eu sem mim, mergulhada na imensidão de nada.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia mundial da poesia

E faz-se as palavras ao longo do poema

Quando o poeta tenta colorir de paz

As mais negras formas da vida

Trazendo a luz nas sombras das linhas


É o poema vestido de poesia

Que me envolve na homenagem à vida

Ainda que não raras vezes vestida de luto

Me entrego à beleza dessa harmonia


O poema é aqui, na minha alma

Triste ou alegre em palavras incertas

Na busca do amor feito poesia

Na busca da vida esculpida em palavras





sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Carta de amor




Eram feitos de música, os teus passos, quando chegavas sem hora marcada, sempre nas marés altas, onde a lua cheia iluminava calmamente o teu caminho até mim.

E eu preparava o meu coração, a minha pele com banho de jasmim, o meu corpo sereno e desperto, te aguardando sem pensar em despedidas. Mas sim, essa foi a última noite que se ouviu a melodia da harpa no meio da praia, a última noite que estiveste em mim mergulhado, como se o amanhã não fosse acontecer.

E agora, sempre que batem as ondas no ilhéu anunciando a vinda da maré, eu caminho na estrada de prata até sentir a areia molhada.  E sim, espero debaixo da estrela com o teu nome, porque mesmo não te vendo com os meus olhos marejados de água, consigo sentir o teu cheiro a algas, como se o mar te guardasse só para mim.

Sim, o mar guarda-te só para mim, porque só eu consigo ouvir-te na melodia das marés, só eu consigo ver-te na estrela polar, só eu sinto a tua vida tornando a morte numa miragem.


Quando voltarem a subir as marés lá estarei, meu amor, levarei a minha harpa e tocarei para as estrelas a tua música até que o mar te desperte.



segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Feliz Aniversário, Mãe




Trouxe-te hoje, no perfume do teu colo onde o amor não te apaga, onde a dor esmorece, onde tu acordas para mim como se o passado fosse agora.



Trouxe-te mãe, para o pedaço de mim em falta, porque viverás sempre no retrato guardado no baú das rosas brancas e em cada aniversário devolvo-te à vida, como se a morte fosse apenas uma miragem e só o amor fosse o caminho.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amar



Queria eu ainda amar-te, sem adiar a saudade de tantas existências, do amor ancestral em amanheceres indecisos.
Via-te caminhar com pés de algas e cheiro de mar, de um qualquer horizonte pintado de purpura, ainda que renascendo da nostalgia da aurora atrasada.
Queria eu ainda amar-te, antes de descer a escuridão e cair a solidão, para não te adiar por mais um século.
Para ti escrevi a saudade, por ti adiei a morte.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Mulheres da Terra


Amam como quem ama no adeus

E choram nos orvalhos da madruga.

deusas ressuscitadas

Do cansaço, do desespero, da razão

Da beleza selvagem e da paixão dolorosa

Dos filhos paridos no medo do mundo

Elas,

Afrodites da terra e do mar

Dançantes em obscuros desejos

Por vós a poesia canta