segunda-feira, 2 de novembro de 2020

NÃO TE DEIXO MORRER

Não te deixo morrer.
É como se nascesses a cada aniversário e o nosso reencontro se tornasse uma evidência cada vez mais certa. Ainda assim, não te deixo morrer.
Sinto o teu perfume suave trazido pela brisa que vem do jardim, como se as flores te quisessem perpetuar no seu perfume.
Sinto-te nas tempestades que me trazem o teu refugio onde ainda sinto o teu colo morno.
Sinto-te no vazio das noites ocas de sonhos, até nestas palavras, como se me sussurrasses ao ouvido o teu eterno amor e ainda assim, por muito que escreva, não consigo expressá-lo.
És tu, hoje, a festejar a vida, e eu, em tua homenagem, esqueço a saudade e procuro nas lágrimas apenas o teu amor.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A Força da Ilha



Se nem os vulcões te deixaram sem verde, nem as chuvas te afogaram no mar. Se nem os ventos te levaram a luz e as lágrimas apagaram a paz. Então bebo da tua coragem. Visto a tua força renascida das cinzas. Planto o teu verde no perfume da terra. Venho beber em ti a esperança, Vivendo a ilha em mim

quinta-feira, 25 de junho de 2020

ESCREVO (OU NÃO) O AMOR






Quero escrever amor, romântico ou não, incondicional ou não.

Escrevo algo parecido com poesia, onde a emoção pinta as palavras e a maresia perfuma o papel
deixando-me a pele com sabor a sal e a alma inquieta vagueando nas marés.

As palavras insistem em sair incertas, neste amor que transcende o carnal, inspirado no manto de sol que me cobre a pele de dourado.



E ainda assim, o canto dos lobos desperta-me para uma dúbia existência terrena, onde a vida escancarada me retorna o eco da montanha e eu tento, outra e outra vez, escrever o amor.

Podia escrever assim, simples, um pedaço de silêncio vindo de tantas e distantes vidas.


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Sem raízes






Não tenho raízes.

Sou filha da chuva, do mar e da terra.

Sou do todo e do nada,

De onde emana perfume de mar, ~
ou terra molhada com nuances de jasmim

Da floresta negra com danças de deuses,

das estrelas de prata, das flores da lua

Não tenho raízes, amarras, correntes….

sou leve, leve… leve…

Sou brisa ténue, sou folhas de outono correndo no rio

boiando sem fim…entregue ao todo

Vivendo sem fim

Sem raízes... e vivendo, vivendo



quarta-feira, 4 de março de 2020

Noite



Cai o pano escuro,
lentamente,
entre o ocaso e a prata da lua
como se a vida se esfumasse numa bruma morna
e o tempo,
aquele tempo que desmascara tudo,
 me abrisse os palcos.
Cai a luz,
e nessa sombra serena onde me encontro comigo
chega a beleza da solidão disfarçada.
Uso o tempo num balançar de sonhos lúcidos
com máscaras e exaustos contornos
caindo no epicentro da noite.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Fé sem templos






Vives sem rede, porque sabes que se caíres cais nas asas de um anjo.
Caminhas com um mapa em branco, onde a indicação é te dada no momento da chegada e segues o teu caminho, porque esse é apenas e só o teu caminho.
Esta é a fé que tanto ouves falar e que sentes exterior a ti.
Esperas na estação e sabes que quando for a tua vez o comboio chegará e tu decidirás se embarcas ou não, se esperas o próximo… ou não.
E mais uma vez fazes o teu caminho, porque qualquer que ele seja levar-te-á sempre às asas de um anjo.
Esta é a tua fé, aquela que julgas não sentir por não precisares de templos.
A tua fé sem templos.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Aquele Natal





Volta aquela nostalgia do Natal em família onde a beleza estava nos sonhos e na imaginação sem fronteiras, sem pressas nem ambições, como se o amor se eternizasse e nada mais importasse e de nada mais precisasses para tocar a felicidade.
Era assim aquele Natal, com aromas suaves e brilho nos olhares, crianças que traziam o divino, transbordando abundância de tudo, mesmo sem o nada de agora.