terça-feira, 26 de junho de 2012

Talvez






Talvez se eu caminhar rumo ao arco-íris, que reflete a luz do sol no horizonte da terra, descubra abrigo das lágrimas que chovem nesta terra de fábulas e encontre aconchego no canto das cigarras.

Talvez nesse horizonte encontre a alma da ave azul e desprenda o nó da garganta e até pinte as cicatrizes sangrentas com as cores do arco-íris e quem sabe, agarre o tempo.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

CONDIÇÃO HUMANA







Um Deus secreto segreda-lhe a fragilidade
Dessa viagem nesse Outono tépido
Pecados inquietos da alma
Peregrinam
Sob essa luz trémula do sol morno

Viajante através da terra densa
Em busca do tocador de lira
De encontro à montanha que atingia o céu
Onde ao longe ouve o canto das musas

Nómada em busca dos deuses
Que sacralizem a sua existência
Reúne-se nas noites das ninfas
Bebendo o néctar, sorvendo a imortalidade

Nos tempos de denso nevoeiro
Enrosca-se
Na sua condição de humano no resgate à luz

domingo, 10 de junho de 2012

Vivo para te ver caminhar para mim

 




Eu vivo para te ver caminhar para mim
Silhueta púrpura com perfume a mar
E no sorriso inocente a virgem sabedoria
De quem ama por simplesmente amar

Vivo pelas tardes de te ver chegar
Atracar nesse porto trazido pelas marés
Onde me guardo nessa doce maresia
Deixando-me apenas e só ser saudade

Contemplo no horizonte a tua ausência
Sentada nas pedras do porto onde te espero
Até tudo ser apenas mar

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aos meus amigos blogueiros e não só









Apenas vós me vistes por dentro

Com o direito que vos confere a ser parte de mim

Apenas vocês, me ouvistes  nos abafos e desabafos

Qual contrato vitalício que me alimenta na solidão


 

E, Apenas vós me sentistes no eco da alma

Saciando-me com o pão partilhado e,

Mergulhando na ebriedade do vinho

Onde apenas vós bebestes comigo


 

E assim me levanto e caminho

Levando-vos comigo rumo ao meu templo



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Esperança


Enquanto as ondas do mar murmurarem amor
E o sol pintar as tardes de purpura
Enquanto a lua cobrir de prata o cume das montanhas
E as manhãs nascerem ao som do canto das aves
Enquanto as flores se curvarem à luz
Sobrevive a esperança

Enquanto houver esperança
Na inutilidade do medo
Enquanto houver luz
Na estupidez do ódio
Enquanto os corações baterem
Ao ritmo do pulsar da terra
Sobrevive a esperança

E eu serei simplesmente feliz

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Perdoa-me







Perdoa-me por deixar de te amar
Embrenhada na efemeridade dos sentimentos
Nesse amor vestido de cansaço
Das noites que sofregamente te bebi

Perdoa-me essas lágrimas de adeus
Que por deixar de te amar
Melancolicamente brotam nas águas do rio
Que nem o seu misterioso sussurrar me consola

Perdoa-me esta velha canção
Que de tanto te amar se entristeceu
Habituando o coração à dor
No remorso de não conseguir te amar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Música Que Ouves







A música que ouves é trazida pelos murmúrios das épocas


Vinda das sombras de um piano que se fez esqueleto


Tocas a tua melodia nas cordas esticadas


Dos contornos de um piano solitário



A música que ouves


É trazida pelos ventos da selva, na flauta do índio


No suave doce som do fim de tarde


Onde as serpentes se encantam e os rios param



A música que ouves e que te transporta


Onde a melodia que compões é a nostalgia


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vazio

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography



Despida de roupa, despida de emoções
Atirada ao sabor das ondas
Rendi-me e entreguei-me ao todo e ao nada
Entrei no vazio sem passado nem futuro

Nesse momento de nudez perpetuado no agora
Sem corpo nem matéria viva de densidade
Sinto no vazio o canto das baleias
Seguindo a luz do farol da ilha

Nesse momento de nudez me entrego
Nesse vazio silencioso me pacifico
Nesse farol me reencontro



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não sei o meu nome






Gravei os meus nomes em jazigos
Sepultados nas falésias das vidas
Mas não sei quem sou
Para além dos nomes 


Alguém me chamou um nome
Nas metamorfoses de vidas encarnadas
E nos papeis desconformes vividos
Mas… Não sei o meu nome


Talvez no Universo me reencontre
E alguém grite a vibração das letras
Um qualquer nome no vácuo  


Mas... ninguém sabe quem sou
Ninguém sabe o meu nome

quarta-feira, 11 de abril de 2012

VIAGEM

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography





Amei essa terra onde rebolei, entranhando na pele a poeira húmida.


Molhei o corpo nas chuvas mornas de verão e amei como quem nunca amou.

Amei esse mar salgado que me acariciou, que me perfumou de maresia e me sussurrou de amor, nas longas marés vestidas de algas.

E amei esse lugar, onde o silêncio se fez companheiro, onde o sol me acariciou o corpo e a briza me refrescou a alma.

Nessa viagem carrego esse amor e nesse vento me entrego, levando comigo o canto das sereias, levando comigo as telas pintadas desse sentir.