quarta-feira, 4 de março de 2020

Noite



Cai o pano escuro,
lentamente,
entre o ocaso e a prata da lua
como se a vida se esfumasse numa bruma morna
e o tempo,
aquele tempo que desmascara tudo,
 me abrisse os palcos.
Cai a luz,
e nessa sombra serena onde me encontro comigo
chega a beleza da solidão disfarçada.
Uso o tempo num balançar de sonhos lúcidos
com máscaras e exaustos contornos
caindo no epicentro da noite.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Fé sem templos






Vives sem rede, porque sabes que se caíres cais nas asas de um anjo.
Caminhas com um mapa em branco, onde a indicação é te dada no momento da chegada e segues o teu caminho, porque esse é apenas e só o teu caminho.
Esta é a fé que tanto ouves falar e que sentes exterior a ti.
Esperas na estação e sabes que quando for a tua vez o comboio chegará e tu decidirás se embarcas ou não, se esperas o próximo… ou não.
E mais uma vez fazes o teu caminho, porque qualquer que ele seja levar-te-á sempre às asas de um anjo.
Esta é a tua fé, aquela que julgas não sentir por não precisares de templos.
A tua fé sem templos.