terça-feira, 11 de maio de 2021

Espera

Não vás ainda, fica mais um pouco, só até a lua chegar ao nosso deserto. Fala-me mais um pouco das cores da tua luz, dessa terra onde acaba o ódio e começa o amor, onde o mar mantém as marés, para que consigas alcançar o arco-íris. Conta-me a tua história, Para que eu veja com a cegueira física a beleza que só um coração consegue ver. Traz-me o silêncio do deserto, o céu chovendo as tuas estrelas, o vento cantando a tua música. Fica, só mais um pouco, Para que em mim viva o teu aroma, e eu perca o medo da tua morte

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Adeus

Segui o teu rio,

aquele que levou para longe os murmúrios da tua voz,

e os sussurros das aves que me diziam

que seria o último adeus do teu sorriso.

Caiu em mim o peso da despedida,

como se de repente entrasse no último dia do mundo,

no último dia do tempo,

e a vida perdesse as cores,

numa mescla cinza de tarde de inverno.

Vi a tua sombra diluída

Naquela água onde nada sobrou

a não ser palavras sem ressonância

Onde gastámos as lágrimas

Sem que eu acreditasse

Que um rio não volta


quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Silêncios

Era o silêncio das aves noturnas, onde a música dos grilos te enchiam de paz, e a tua alma vagueava entre dimensões de luz. Seria a floresta encantada, aquela que te trazia para dentro de ti, como se o mundo deixasse de ser mundo e tu, eras apenas tu, despido e ausente. Era assim o teu mundo fora do mundo. Florestas imensas de silêncio, refúgio vazio de gentes, e esse desejo doido de mergulhar na noite selvagem e pura. Seria o silêncio, onde os teus gritos se desvanecem, e sob a lua azul calas a voz, em eternos momentos de essência.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

NÃO TE DEIXO MORRER

Não te deixo morrer.
É como se nascesses a cada aniversário e o nosso reencontro se tornasse uma evidência cada vez mais certa. Ainda assim, não te deixo morrer.
Sinto o teu perfume suave trazido pela brisa que vem do jardim, como se as flores te quisessem perpetuar no seu perfume.
Sinto-te nas tempestades que me trazem o teu refugio onde ainda sinto o teu colo morno.
Sinto-te no vazio das noites ocas de sonhos, até nestas palavras, como se me sussurrasses ao ouvido o teu eterno amor e ainda assim, por muito que escreva, não consigo expressá-lo.
És tu, hoje, a festejar a vida, e eu, em tua homenagem, esqueço a saudade e procuro nas lágrimas apenas o teu amor.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A Força da Ilha



Se nem os vulcões te deixaram sem verde, nem as chuvas te afogaram no mar. Se nem os ventos te levaram a luz e as lágrimas apagaram a paz. Então bebo da tua coragem. Visto a tua força renascida das cinzas. Planto o teu verde no perfume da terra. Venho beber em ti a esperança, Vivendo a ilha em mim

quinta-feira, 25 de junho de 2020

ESCREVO (OU NÃO) O AMOR






Quero escrever amor, romântico ou não, incondicional ou não.

Escrevo algo parecido com poesia, onde a emoção pinta as palavras e a maresia perfuma o papel
deixando-me a pele com sabor a sal e a alma inquieta vagueando nas marés.

As palavras insistem em sair incertas, neste amor que transcende o carnal, inspirado no manto de sol que me cobre a pele de dourado.



E ainda assim, o canto dos lobos desperta-me para uma dúbia existência terrena, onde a vida escancarada me retorna o eco da montanha e eu tento, outra e outra vez, escrever o amor.

Podia escrever assim, simples, um pedaço de silêncio vindo de tantas e distantes vidas.


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Sem raízes






Não tenho raízes.

Sou filha da chuva, do mar e da terra.

Sou do todo e do nada,

De onde emana perfume de mar, ~
ou terra molhada com nuances de jasmim

Da floresta negra com danças de deuses,

das estrelas de prata, das flores da lua

Não tenho raízes, amarras, correntes….

sou leve, leve… leve…

Sou brisa ténue, sou folhas de outono correndo no rio

boiando sem fim…entregue ao todo

Vivendo sem fim

Sem raízes... e vivendo, vivendo