segunda-feira, 14 de maio de 2012

Perdoa-me







Perdoa-me por deixar de te amar
Embrenhada na efemeridade dos sentimentos
Nesse amor vestido de cansaço
Das noites que sofregamente te bebi

Perdoa-me essas lágrimas de adeus
Que por deixar de te amar
Melancolicamente brotam nas águas do rio
Que nem o seu misterioso sussurrar me consola

Perdoa-me esta velha canção
Que de tanto te amar se entristeceu
Habituando o coração à dor
No remorso de não conseguir te amar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A Música Que Ouves







A música que ouves é trazida pelos murmúrios das épocas


Vinda das sombras de um piano que se fez esqueleto


Tocas a tua melodia nas cordas esticadas


Dos contornos de um piano solitário



A música que ouves


É trazida pelos ventos da selva, na flauta do índio


No suave doce som do fim de tarde


Onde as serpentes se encantam e os rios param



A música que ouves e que te transporta


Onde a melodia que compões é a nostalgia


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vazio

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Despida de roupa, despida de emoções
Atirada ao sabor das ondas
Rendi-me e entreguei-me ao todo e ao nada
Entrei no vazio sem passado nem futuro

Nesse momento de nudez perpetuado no agora
Sem corpo nem matéria viva de densidade
Sinto no vazio o canto das baleias
Seguindo a luz do farol da ilha

Nesse momento de nudez me entrego
Nesse vazio silencioso me pacifico
Nesse farol me reencontro



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não sei o meu nome






Gravei os meus nomes em jazigos
Sepultados nas falésias das vidas
Mas não sei quem sou
Para além dos nomes 


Alguém me chamou um nome
Nas metamorfoses de vidas encarnadas
E nos papeis desconformes vividos
Mas… Não sei o meu nome


Talvez no Universo me reencontre
E alguém grite a vibração das letras
Um qualquer nome no vácuo  


Mas... ninguém sabe quem sou
Ninguém sabe o meu nome

quarta-feira, 11 de abril de 2012

VIAGEM

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography





Amei essa terra onde rebolei, entranhando na pele a poeira húmida.


Molhei o corpo nas chuvas mornas de verão e amei como quem nunca amou.

Amei esse mar salgado que me acariciou, que me perfumou de maresia e me sussurrou de amor, nas longas marés vestidas de algas.

E amei esse lugar, onde o silêncio se fez companheiro, onde o sol me acariciou o corpo e a briza me refrescou a alma.

Nessa viagem carrego esse amor e nesse vento me entrego, levando comigo o canto das sereias, levando comigo as telas pintadas desse sentir.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nada me pertence








Nada me pertence,
 neste latejar da terra
Neste navegar das marés
 nas noites de lua
Na sombra morna das árvores
 onde me sinto
Nesse cheiro de laranjeira
 que me desperta

Nada me pertence
 neste sono profundo
No cansaço de noites
 de amor utópico
Neste fogo intenso
 vazio de conteúdo
Na inércia ensombrada manhãs 

Nesse planeta de filhos pródigos,
 humanos em redenção
Nada me pertence
 
Só a saudade
 
Pertence-me a saudade
 entranhada nas veias de lava
Pertence-me o vulcão,
cratera de nostalgia
Nada me pertence
não fosse essa saudade…   
 
 

segunda-feira, 26 de março de 2012

ESPELHO

https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography



Vejo nesse espelho a meretriz das docas
Nesse corpo que sobreviveu ao abismo
Com sinais de estupido divertimento

Nele se fez portos de abrigo
De marinheiros perdidos em tempestades
Fazendo esta  fria estátua de pele
Moldar-se na contraluz do tempo

Nele reflete os meus olhos sem luz
Numa mascara de cal pincelada pela maresia

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pai







Quero escrever sobre ti, pai, talvez sobre a saudade escondida, talvez sobre a resignação de apenas te recordar


Quero escrever sobre ti, pai, talvez sobre esta tristeza camuflada de querer esconder um remorso injustificado


Talvez escrever o que nunca escrevi, talvez chorar nas palavras,…não sei


Quero escrever para ti…talvez só para te dizer que vives em cada palavra que ainda escreverei sobre ti…


sábado, 17 de março de 2012

SENTIR



https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography



É um estado de Ser e de sentir…
Sentir o paraíso inexpugnável
E caminhar em direcção a um Deus maior

É a sensação de ligação ao todo
Ligação a uma energia pura e una,
E nada é separado de nada

A unicidade é manifesta
No sentir a terra, no sentir o céu
No sentir a cor púrpura do sol
No sentir a mente dos homens

Mergulhada na profunda ilusão
Da separação aparente
É levantar o véu que cobre a visão
E deixar o mundo encantado das ilusões

É sair do sonho insano das cegueiras
E escolher a vida para além da vida
É sair do sonho passageiro do mundo finito
E mergulhar no oceano infinito da alma
E sentir, sentir…







quarta-feira, 7 de março de 2012

MULHER



Mulher, deusa do amor neutro,
Vénus surgida na concha de madrepérola
Gerada pelas espumas brancas do mar
Meretriz do destino efémero

Deusa do erotismo e da beleza
Divindade da reprodução  
Por ti os poetas choram
Por ti os artistas criam

Mulher de olhos distantes
De corpo esculpido em areias movediças
Mulher de homens insaciados

Por ti os filhos nascem e as flores brotam
Por ti Gaia chora…


Mulher, que alumias o altar dos homens...