sexta-feira, 27 de julho de 2012

Morro silenciosamente nas chamas




Morro um pouco nas chamas do fogo
Nessa ilha que do verde se vestiu de cinza
Morro lentamente nas lágrimas desse mar
Que na noite ouvia o monólogo das árvores  


Entranha-me na pele os sinais de luto
E o cheiro dessa noite de fogo
Me desperta
Nessa ilha sem cólera que me acolhe


Silenciosamente morro com essa ilha calcinada
Sob esse céu pintado de sangue



E entrego-me a essa maré vazia


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Divindade







E foi assim que por breves e eternos momentos
Despi a carapaça
E vesti o silêncio que me fez calar a mente
Tirei o véu do esquecimento,
Deixei o jogo
E subi ao trono da minha divindade

“Tu és Deus também”

E esculpi na pedra o teu rosto
Num templo
Que se eternizou no pó das épocas 


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mãe






 
Eu podia viver nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe



Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VIVI





Dancei ao ritmo da solidão, cantei ao som da nostalgia
Vivi nos abismos vertiginosos dos amores dos homens.
Desaprendi o que os livros ditavam
E percorri os caminhos de encontro à fórmula para a alquimia


Não sei se de todas as lições vividas aprendi a linguagem secreta da natureza,
A intimidade do homem.
Não sei se aprendi na luz e nas sombras
Ou se as vivi numa transição entre a verdade e a mentira.


Não sei se aprendi nos rituais da consciência o elixir da vida eterna
Ou se inventei a pedra filosofal
Que me fez compor na comunhão com os homens, o poema
Que fez cair lentamente a tarde




terça-feira, 26 de junho de 2012

Talvez






Talvez se eu caminhar rumo ao arco-íris, que reflete a luz do sol no horizonte da terra, descubra abrigo das lágrimas que chovem nesta terra de fábulas e encontre aconchego no canto das cigarras.

Talvez nesse horizonte encontre a alma da ave azul e desprenda o nó da garganta e até pinte as cicatrizes sangrentas com as cores do arco-íris e quem sabe, agarre o tempo.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

CONDIÇÃO HUMANA







Um Deus secreto segreda-lhe a fragilidade
Dessa viagem nesse Outono tépido
Pecados inquietos da alma
Peregrinam
Sob essa luz trémula do sol morno

Viajante através da terra densa
Em busca do tocador de lira
De encontro à montanha que atingia o céu
Onde ao longe ouve o canto das musas

Nómada em busca dos deuses
Que sacralizem a sua existência
Reúne-se nas noites das ninfas
Bebendo o néctar, sorvendo a imortalidade

Nos tempos de denso nevoeiro
Enrosca-se
Na sua condição de humano no resgate à luz

domingo, 10 de junho de 2012

Vivo para te ver caminhar para mim

 




Eu vivo para te ver caminhar para mim
Silhueta púrpura com perfume a mar
E no sorriso inocente a virgem sabedoria
De quem ama por simplesmente amar

Vivo pelas tardes de te ver chegar
Atracar nesse porto trazido pelas marés
Onde me guardo nessa doce maresia
Deixando-me apenas e só ser saudade

Contemplo no horizonte a tua ausência
Sentada nas pedras do porto onde te espero
Até tudo ser apenas mar

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aos meus amigos blogueiros e não só









Apenas vós me vistes por dentro

Com o direito que vos confere a ser parte de mim

Apenas vocês, me ouvistes  nos abafos e desabafos

Qual contrato vitalício que me alimenta na solidão


 

E, Apenas vós me sentistes no eco da alma

Saciando-me com o pão partilhado e,

Mergulhando na ebriedade do vinho

Onde apenas vós bebestes comigo


 

E assim me levanto e caminho

Levando-vos comigo rumo ao meu templo



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Esperança


Enquanto as ondas do mar murmurarem amor
E o sol pintar as tardes de purpura
Enquanto a lua cobrir de prata o cume das montanhas
E as manhãs nascerem ao som do canto das aves
Enquanto as flores se curvarem à luz
Sobrevive a esperança

Enquanto houver esperança
Na inutilidade do medo
Enquanto houver luz
Na estupidez do ódio
Enquanto os corações baterem
Ao ritmo do pulsar da terra
Sobrevive a esperança

E eu serei simplesmente feliz

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Perdoa-me







Perdoa-me por deixar de te amar
Embrenhada na efemeridade dos sentimentos
Nesse amor vestido de cansaço
Das noites que sofregamente te bebi

Perdoa-me essas lágrimas de adeus
Que por deixar de te amar
Melancolicamente brotam nas águas do rio
Que nem o seu misterioso sussurrar me consola

Perdoa-me esta velha canção
Que de tanto te amar se entristeceu
Habituando o coração à dor
No remorso de não conseguir te amar.