domingo, 23 de setembro de 2012

A Dança





Quero dançar despida de trapos, a mente aliviada de farrapos, seguir ao ritmo das ninfas, beber a sabedoria dos elfos, numa floresta onde só o silêncio me ouve.
Quero dançar ao som das ondas, no ritmo do vento que me leva em busca do azul, nesse universo índigo onde desaparecem as palavras e sinto a embriaguez da luz, que me veste de estrelas, e perfuma de maresia à luz da lua.
Olho-me na pedra de jade, e danço com os espíritos ondulantes, o bailado dos astros, que me levam para o essencial do mundo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Em busca da beleza





Procurei a beleza nos rostos maltratados,
Nos olhos marcados pela desesperança
De quem olha o ocaso como por acaso

Procurei a beleza na indiferença das gentes
Que contempla o extermínio da mente
De uma humanidade que morre de tudo

Procurei na espécie humana
Aquela beleza que
 apesar da banalização da tristeza,
da fome e da guerra,
vive numa humanidade encantada

Procurei essa, que vive no amor

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sem Mudança










Sinto-me igual, sem a mudança latente dos tempos,  embebida da vã sabedoria dos homens que me provoca um orgasmo mental, e da fútil sensação de beleza falsa,  neste pedaço de mundo que não pedi.

Talvez sinta apenas aquela leve melancolia, justificada pelos fins de tarde,  apesar de cúmplice da minha existência.

Sinto-me igual a mim, menos céptica talvez, de tanto ver a metamorfose que faz nascer as borboletas.

Será talvez por não pedir mais pedaços de mundo,  que me acomodo na paz da minha essência,  e tento desse lugar, apagar o meu nome?

Quem sabe se dormir, no meu corpo sem idade...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Basta-me olhar a lua








 

Pudesse eu sentir-te no meu peito recolhido

Nas noites que te bebi até a lua te acolher
Pudesse eu levar-te, nos ciclos das marés
Onde a algas tombam sem a luz da prata e eu te aguardo
Envelhecendo a lua de tanto olhar

Pudesse eu sentir-te, no meu corpo feito teu
Sentir-te no meu sangue, nascendo nas alvoradas
E sufocar-me em ti nesse amar além do tempo

Pudesse eu amar-te, morrendo em ti
Mas basta-me olhar a lua

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sorriso







Esse sorriso pintado é mais que pigmento em forma líquida
desenhado num quadro, onde a mistura de cores me toca,
insinuando o frio, o calor, a sombra, a luz
numa profundidade sentida muito para além dessa tela

Esse sorriso esculpido a golpes de cinzel, lavrado em pedra
soltado das lascas caídas na terra
É a tua criação, o retrato da liberdade
O sorriso de deus


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quero paz






Quero paz, aquela paz que ilumina os homens e os torna o primeiro sol do planeta
Aquela paz que faz de um povo as velas brancas do mundo
Aquela que apaga os ventos da ira
Que poliniza um mundo de sombras voláteis
E executa numa sinfonia a ode à liberdade

Quero essa paz que se veste da brancura dos lírios
E nas gotas cristalinas do orvalho, chora o amor e a liberdade


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Morro silenciosamente nas chamas




Morro um pouco nas chamas do fogo
Nessa ilha que do verde se vestiu de cinza
Morro lentamente nas lágrimas desse mar
Que na noite ouvia o monólogo das árvores  


Entranha-me na pele os sinais de luto
E o cheiro dessa noite de fogo
Me desperta
Nessa ilha sem cólera que me acolhe


Silenciosamente morro com essa ilha calcinada
Sob esse céu pintado de sangue



E entrego-me a essa maré vazia


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Divindade







E foi assim que por breves e eternos momentos
Despi a carapaça
E vesti o silêncio que me fez calar a mente
Tirei o véu do esquecimento,
Deixei o jogo
E subi ao trono da minha divindade

“Tu és Deus também”

E esculpi na pedra o teu rosto
Num templo
Que se eternizou no pó das épocas 


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mãe






 
Eu podia viver nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe



Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VIVI





Dancei ao ritmo da solidão, cantei ao som da nostalgia
Vivi nos abismos vertiginosos dos amores dos homens.
Desaprendi o que os livros ditavam
E percorri os caminhos de encontro à fórmula para a alquimia


Não sei se de todas as lições vividas aprendi a linguagem secreta da natureza,
A intimidade do homem.
Não sei se aprendi na luz e nas sombras
Ou se as vivi numa transição entre a verdade e a mentira.


Não sei se aprendi nos rituais da consciência o elixir da vida eterna
Ou se inventei a pedra filosofal
Que me fez compor na comunhão com os homens, o poema
Que fez cair lentamente a tarde