sábado, 23 de fevereiro de 2013

Procuram-se os anjos




Hora sagrada dos murmúrios do templo
 
Os sinos cantam o profano
 
Na primeira hora da luz do sol
 
Raiando a pátria
 
 
No altar nasce o corpo e o sangue
 
No grito do falcão, a liberdade
 
E desenham-se borboletas no céu
 
 
Vamos onde nos levam os pássaros
 
E procuram-se os anjos
 
Nos ventos que varrem a pátria
 
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Eu



Talvez a demora da vida me leve a marcar pegadas que estão por vir

E dou por mim fugindo de mim em busca do todo que me falta

E é urgente as luas acelerarem as marés

E o meu encontro no centro da tempestade, bebendo a última gota de sal

 

Talvez a demora da vida me encontre e denuncie

E eu obedientemente espere por ela

Enquanto me perfumo de terra e mar

 

Porque nenhuma palavra fala de mim

Apenas esse cheiro a mar…

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Quem és





 



Um dia chegaste trajado de Pierrot, trazias no peito a rosa brava,
E no coração o carnaval ao som de um samba melancólico
Chegaste vestido de inocência, caminhando na praça com graça
Com uma lágrima brilhante traçando a estrada no rosto

E falaste-me dos carnavais do mundo,
Aqueles que te deixaram essa eterna lágrima
Que te fizeram vestir essa constante tristeza dentro dos trajes de lentejoulas

 Um dia vi-te partir no sambódromo, em busca de outro carnaval

Aquele que te enxugasse a lágrima

E eu, trajei-me de Columbina.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Não penso a beleza





 

Que penso eu sobre a beleza
 se apenas a amo

Que penso eu,
 quando os relâmpagos embelezam a noite
E a brisa salgada sobe a montanha
Adornando a noite com a melodia das baleias

Que penso eu,
 se apenas sinto a beleza desprovida de razão

E porque creio num mundo com sentidos
 e amo essa inocência que não pensa
Sinto os anjos e as fadas,
 neste reino que não é deste mundo

Então amo este mundo destituído de razão,

Onde desvendo o mistério da beleza 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pessoas

 





Há pessoas que passam e levam consigo um pedaço do meu nome
e eis-me a mim, contemplando a saudade.
 
Há pessoas que passam e deixam esse cheiro de jasmim que me acompanha,
 quando vou em busca do som da arpa.
 
Pessoas que ficam, num pedaço de mim que se fez delas,
 e eis-me procurando nas estrelas.
 
Pessoas de passagem, que a solidão esquece.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Portugal







E foi no adeus da  primavera


Que vi o inverno reflectido nos olhos húmidos

De quem amassa o pão e faz o vinho

Esperando o regresso das aves azuis
Mesmo que coma desse pão e beba desse vinho

Penetra-me a desilusão de Deus

E a névoa salgada dessa pátria morna

Não me deixa ouvir a melodia das marés
 


domingo, 6 de janeiro de 2013

Não sei









Existe uma dúvida
 entre os meus passos e a estrada que vejo
E a sincronia da vida não me desvanece o mistério
Que todas as alvoradas me despertam,
inquietando-me a alma

Não sei onde quero ir, 
Se os meus instintos invocam as musas ocultas
A razão me chama, numa rotina friamente falsa
E esta incerteza
 entre os meus passos e a estrada que vejo.

E eu, que tantas vezes me sinto tão real
Encontro a metáfora nessa paisagem.
 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O gosto das amoras






Hoje recordo o gosto das amoras, quando esperava o tempo
Num tempo em que te embalava, no mistério sedutor de Afrodite

Recordo o teu mistério tentador
Quando construi a Esfinge para te guardar em mim,
Quando te preservei, num poder místico, que nem o tempo levou

Os meus olhos acostumados à penumbra
Olham-te na sedutora neblina do ocaso
Nessa tarde cálida onde adormecem os pássaros
E eu recordo o gosto das amoras

Poderá ser o teu mistério sedutor

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Natal






 

Disseste-me que estarias em cada floco de neve que caísse do céu,
Em cada raio de sol que tocasse a minha pele,
Em cada mar que beijasse a terra
Em cada animal que respirasse comigo.

Disseste-me que poderia ouvir-te na melodia dos búzios,
e na canção das gaivotas.
Que viverias em tudo o que os meus olhos tocassem.

E o meu coração aquietou-se,

 Ao ver-te em cada gota de orvalho que humedece a terra
Ao ver-te pulsar no coração de Gaia.

E o meu coração serenou
Ao ver-te nascer na aurora,

 Fez-se Natal

E a vida falou

sábado, 15 de dezembro de 2012

Amar na noite






Ambos esperavam o silêncio da lua
O desfalecer do sol e o estremecer das estrelas
E amavam-se num anonimato sedutor
Onde o riso das feiticeiras ecoava longínquo
Embalando a noite nos rituais das corujas

Ambos esperavam o cair da noite
Apenas a respiração sussurrando num murmúrio
Qual apelo sensualmente retórico  

E esperavam a mutação das sombras e o sono das flores

Embarcavam na neblina noturna
Sentindo a textura da terra e o silêncio da água
Os corpos fundidos numa só sombra
Amavam-se no misterioso sossego

E esperavam os aromas da noite
A treva estranhamente bela