sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Basta-me olhar a lua








 

Pudesse eu sentir-te no meu peito recolhido

Nas noites que te bebi até a lua te acolher
Pudesse eu levar-te, nos ciclos das marés
Onde a algas tombam sem a luz da prata e eu te aguardo
Envelhecendo a lua de tanto olhar

Pudesse eu sentir-te, no meu corpo feito teu
Sentir-te no meu sangue, nascendo nas alvoradas
E sufocar-me em ti nesse amar além do tempo

Pudesse eu amar-te, morrendo em ti
Mas basta-me olhar a lua

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sorriso







Esse sorriso pintado é mais que pigmento em forma líquida
desenhado num quadro, onde a mistura de cores me toca,
insinuando o frio, o calor, a sombra, a luz
numa profundidade sentida muito para além dessa tela

Esse sorriso esculpido a golpes de cinzel, lavrado em pedra
soltado das lascas caídas na terra
É a tua criação, o retrato da liberdade
O sorriso de deus


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quero paz






Quero paz, aquela paz que ilumina os homens e os torna o primeiro sol do planeta
Aquela paz que faz de um povo as velas brancas do mundo
Aquela que apaga os ventos da ira
Que poliniza um mundo de sombras voláteis
E executa numa sinfonia a ode à liberdade

Quero essa paz que se veste da brancura dos lírios
E nas gotas cristalinas do orvalho, chora o amor e a liberdade


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Morro silenciosamente nas chamas




Morro um pouco nas chamas do fogo
Nessa ilha que do verde se vestiu de cinza
Morro lentamente nas lágrimas desse mar
Que na noite ouvia o monólogo das árvores  


Entranha-me na pele os sinais de luto
E o cheiro dessa noite de fogo
Me desperta
Nessa ilha sem cólera que me acolhe


Silenciosamente morro com essa ilha calcinada
Sob esse céu pintado de sangue



E entrego-me a essa maré vazia


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Divindade







E foi assim que por breves e eternos momentos
Despi a carapaça
E vesti o silêncio que me fez calar a mente
Tirei o véu do esquecimento,
Deixei o jogo
E subi ao trono da minha divindade

“Tu és Deus também”

E esculpi na pedra o teu rosto
Num templo
Que se eternizou no pó das épocas 


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mãe






 
Eu podia viver nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe



Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite



Podia ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono


Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VIVI





Dancei ao ritmo da solidão, cantei ao som da nostalgia
Vivi nos abismos vertiginosos dos amores dos homens.
Desaprendi o que os livros ditavam
E percorri os caminhos de encontro à fórmula para a alquimia


Não sei se de todas as lições vividas aprendi a linguagem secreta da natureza,
A intimidade do homem.
Não sei se aprendi na luz e nas sombras
Ou se as vivi numa transição entre a verdade e a mentira.


Não sei se aprendi nos rituais da consciência o elixir da vida eterna
Ou se inventei a pedra filosofal
Que me fez compor na comunhão com os homens, o poema
Que fez cair lentamente a tarde




terça-feira, 26 de junho de 2012

Talvez






Talvez se eu caminhar rumo ao arco-íris, que reflete a luz do sol no horizonte da terra, descubra abrigo das lágrimas que chovem nesta terra de fábulas e encontre aconchego no canto das cigarras.

Talvez nesse horizonte encontre a alma da ave azul e desprenda o nó da garganta e até pinte as cicatrizes sangrentas com as cores do arco-íris e quem sabe, agarre o tempo.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

CONDIÇÃO HUMANA







Um Deus secreto segreda-lhe a fragilidade
Dessa viagem nesse Outono tépido
Pecados inquietos da alma
Peregrinam
Sob essa luz trémula do sol morno

Viajante através da terra densa
Em busca do tocador de lira
De encontro à montanha que atingia o céu
Onde ao longe ouve o canto das musas

Nómada em busca dos deuses
Que sacralizem a sua existência
Reúne-se nas noites das ninfas
Bebendo o néctar, sorvendo a imortalidade

Nos tempos de denso nevoeiro
Enrosca-se
Na sua condição de humano no resgate à luz

domingo, 10 de junho de 2012

Vivo para te ver caminhar para mim

 




Eu vivo para te ver caminhar para mim
Silhueta púrpura com perfume a mar
E no sorriso inocente a virgem sabedoria
De quem ama por simplesmente amar

Vivo pelas tardes de te ver chegar
Atracar nesse porto trazido pelas marés
Onde me guardo nessa doce maresia
Deixando-me apenas e só ser saudade

Contemplo no horizonte a tua ausência
Sentada nas pedras do porto onde te espero
Até tudo ser apenas mar