domingo, 14 de julho de 2013

Voei







Sonhava que era a alma da ave azul,

Aquela com quem eu falava quando me faltavam as palavras para o mundo.


Mil vezes falei de mim,


Sem saber que sonhava.



E a poeira do tempo desvanecia o meu acordar 

e eu teimava dormir.


Perdi o medo e a pressa,

Perdi a morte e a vida


E voei para além do azul.


Com a alma daquela que me ouvia nas tempestades.

A alma da ave azul. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Horizonte





Caminho nessa estrada sem identidade nem pátria, vestida de vento e perfume de mar, rumo a um horizonte trazido pela nostalgia de um ocaso.

Os meus olhos de sol sorriem diante do sabor da tristeza.  Porque com a tristeza encontro a  alegria e deixo levar-me na melodia do vento, rumo à liberdade do horizonte sem morada, onde entrego as palavras aos deuses.



sábado, 22 de junho de 2013

Um olhar







 
Olhei de volta para mim
Seriam as lágrimas de sal da criança que vi
Que me transportou de volta à humanidade dos homens
Deixando-me a lucidez da magia

Talvez se mandar embora o medo de olhar
E deixar a criança brincar de mulher
Eu consiga colher as estrelas e amar

sábado, 8 de junho de 2013

O som do silêncio







Lembro-me dos segredos do silêncio

Quando me aquietava no lusco-fusco do dia


E fugia dos ruídos do mundo

Ouvindo o som da brisa do mar



Era inteira na minha sede humana

Quando saía do profano e desvanecia o grito

Vindo de um rebuscado lugar do mundo

Quando a noite descia da montanha clamando



Lembro-me da doce paz desse som

Que me levava a calar a mente

E a sentir a inocência da melodia da flauta



Era o som da alma

Nos segredos do silêncio

sábado, 25 de maio de 2013

Desassossego





Será amor este desassossego
Que me leva a aceitar a solidão
Esperando um eco trazido pela vida

Entro na próxima taberna deste destino
Nesta incerta procura entre o sono e o sonho
Que me leva a querer amar-te sem saber amar

Sinto o aroma da terra na tua pele
E deixo o meu corpo ceder
Perdido nesse tempo sem tempo

Seria a hora do sol poente

E talvez te ame sem medo de amar



sábado, 11 de maio de 2013

VIAGEM






Não raras vezes paro na berma da estrada com a dúvida plantada no mapa da vida sem saber ao certo para onde ir.

Não raras vezes sinto a fadiga dessa viagem cansar-me a pele, e dou por mim de volta ao jardim com cheiro a jasmim.

Cerram-se-me os olhos cansados, e, na esteira da vida espero acalentar o sono, trazendo na noite tudo o que de belo amei.



domingo, 5 de maio de 2013

Homenagem a ti, mãe





 
Eu podia morar nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe



Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia



Quem sabe ouvir os grilos entoando a melodia 

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono



Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite

(Reedição)




sábado, 27 de abril de 2013

A Voz






Queria eu ouvir a voz do vento

Desprender-me do tempo estático

E entregar-me ao rumor secreto

Da liberdade do deserto


Queria eu calar a mente

E entregar-me à penumbra da luz

No lusco-fusco do tempo


Talvez se ouvisse a voz das árvores...

domingo, 14 de abril de 2013

Talvez fale com Deus




 

Às vezes abraço um cão vadio e sinto Deus no seu silêncio


E a minha existência entra num mundo sem terra


A minha voz penetra-me, ressoa no vácuo


Talvez sinta a voz de Deus.

Mas, se amo os mares de algas azuis


Se amo intensamente a divindade das flores


Se ouço a linguagem dos anjos no burburinho dos homens


Então, talvez fale com Deus…


sábado, 6 de abril de 2013

Homenagem a ti, pai






Pai, o tempo nos aproxima
No sonho que me falas sem voz,
E não falarei das palavras sem som
Sentirei apenas a tua luz na noite

E esse acetinado crepúsculo onde te vejo sorrir
Vindo de um eterno tempo que um dia nos unirá
Mistura-nos na memória de uma vida
Onde agora a luz te molda a sombra

E semeio rosas no caminho que te leva
Onde aguardo o retorno das aves que te cantam.