segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Foge comigo para fora do mundo




Foge comigo para esse vazio,
Para o arco-íris que nos leva
 aos confins do mar.
Foge comigo para fora do mundo
Vem sentir a beleza do nada,
Vamos  viver no vazio esculpido de sol,
 onde o ar é luz e o céu flores,
e as sombras fogem da mente

 
Vamos cinzelar o vazio,
 pintar o universo, acender as estrelas

Vem sentir o amor
Só o amor

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Resta-me pedir ao mar







Deixei a vida vestir-me de melancolia,
Extinguirem-se as flores e me perder
num jardim abstracto de sombras vadias.
Deixei ir o destino, um dia, junto ao promontório,

Resta-me pedir ao mar
O sorriso da criança, foragida na magia,
E sentir o poema que abraça a incerteza
 que soletra o inexprimível,
lançando-me na solidão pacífica

Resta-me pedir ao mar o abraço de Posídon
a memória da criança
E, se um dia o mar me ouvir

Resta-me ser feliz



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DESPRENDIMENTO






Desprendo-me da vida, largada num tempo sem tempo, onde o passado se esfumou em cenas efémeras e o futuro se tornou presente

Desprendo-me na impermanência da vida, que se fez sofrida nos últimos epílogos, E canto o último adeus a um deus que o mundo criou na metáfora.

Desprendo-me das palavras que vestem a canção na combinação do som e do silêncio, e neste desapego de emoções nuas, entoo a dança que me encaminha para o último enigma do planeta... a vida.

E a plateia sorri no fim do acto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Diz-me onde estou, pai





Diz-me tu, o que o meu pensamento vomita,
Fecundando as emoções ainda virgens,
Vestindo um ego repleto de medo.


Diz-me, pai, o que o meu coração não quer calar
E o meu cansaço não deixa ver
Neste mundo
Que aguarda o retorno dos pássaros.


Nas entrelinhas leio a explosão da terra,
Ferida,
Onde lágrimas de seiva escorrem,
Mudando a paisagem numa gestação de ironias.


Diz-me pai, a saída da treva,


Mostra-nos
As nascentes da luz


Diz-me onde estou…pai


domingo, 14 de outubro de 2012

Noite





Nesse escuro luminoso,
 vestido de prata,
Sinto-te chegando,
confundido nas sombras dos cedros,
Dançando
 ao som da melodia longínqua
  de uma bruxa perdida.

Sinto-te tão perto,
 nessa noite mística perdida no profano,
Que até o silêncio do vampiro
 canta a balada da luz
E a dança das estrelas cria rosas no céu,
E vejo-te
Na névoa de luz que te molda o rosto

E a noite canta o hino dos búzios 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Esse mar






Procurei-me em ti,
 esculpi-me na tua pele,
criei-me no teu olhar
E respirei o teu ar de rosas,
 num sorriso rasgado de sol
 Procurei-me tanto em ti,
 que num viver orgástico esqueci de mim,
Entregando-me num vazio de sonhos,
 que o riso das baleias me despertou,
E despertou-me esse  mar,
 na melodia das marés
Que me acolheu como sendo seu
E onde,
 num qualquer dia perfumado de sal
me encontrei

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Outono




Estás sentado na tua cadeira onde te despedes do tempo, esse tempo que o Outono leva nos ventos do norte.

Dessa cadeira onde a melancolia te balouça, os sinos te despertam para as ave-marias, onde a tua alma se recolhe num misto de remorso e paz, e rezas que o falcão te leve, numa dessas alvoradas trajadas de cristais.

As folhas caem naturalmente, e esse Outono te toca, quando fechas os olhos e te entregas, numa metamorfose que não deixa morrer.

domingo, 23 de setembro de 2012

A Dança





Quero dançar despida de trapos, a mente aliviada de farrapos, seguir ao ritmo das ninfas, beber a sabedoria dos elfos, numa floresta onde só o silêncio me ouve.
Quero dançar ao som das ondas, no ritmo do vento que me leva em busca do azul, nesse universo índigo onde desaparecem as palavras e sinto a embriaguez da luz, que me veste de estrelas, e perfuma de maresia à luz da lua.
Olho-me na pedra de jade, e danço com os espíritos ondulantes, o bailado dos astros, que me levam para o essencial do mundo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Em busca da beleza





Procurei a beleza nos rostos maltratados,
Nos olhos marcados pela desesperança
De quem olha o ocaso como por acaso

Procurei a beleza na indiferença das gentes
Que contempla o extermínio da mente
De uma humanidade que morre de tudo

Procurei na espécie humana
Aquela beleza que
 apesar da banalização da tristeza,
da fome e da guerra,
vive numa humanidade encantada

Procurei essa, que vive no amor

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sem Mudança










Sinto-me igual, sem a mudança latente dos tempos,  embebida da vã sabedoria dos homens que me provoca um orgasmo mental, e da fútil sensação de beleza falsa,  neste pedaço de mundo que não pedi.

Talvez sinta apenas aquela leve melancolia, justificada pelos fins de tarde,  apesar de cúmplice da minha existência.

Sinto-me igual a mim, menos céptica talvez, de tanto ver a metamorfose que faz nascer as borboletas.

Será talvez por não pedir mais pedaços de mundo,  que me acomodo na paz da minha essência,  e tento desse lugar, apagar o meu nome?

Quem sabe se dormir, no meu corpo sem idade...