quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Fuga
Não posso fugir de mim, ainda que ame com medo de amar e ressuscite o meu fantasma moribundo. Liberto a fenix de penas douradas e desenho palavras de vento, sempre que pinto o teu rosto na areia.
Um dia, deixarei a minha nudez reflectida na beira do porto, e vestir-me-ei de mar, apenas e só de mar, para poder te amar.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
É Natal
É Natal, e nós, deuses mergulhados numa teimosa amnésia
Só agora acendemos luzes nos templos negros
Como se o agora mergulhasse no eterno, num circulo sem vazio.
Mas, fomos feitos assim, com amor, para o amor
E sim, pode ser por toda a vida, por toda a morte
Por todos os Natais sem Natais.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Gaia
![]() |
| Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts |
Eu amo todas as coisas que sinto, sensações vindas de
um tempo longínquo que nunca deixei de amar, sem mesmo saber. Algo que se
mistura na terra e na pele, que me traz a nostalgia de uma antiga existência, que
me abre o coração para os devas da floresta, para as sereias dos oceanos, que
me faz procurar o canto das baleias.
Eu amo o espírito entranhado nas árvores, a linguagem
dos ventos e das tempestades, a ternura da lua e o uivo dos lobos.
E nunca deixei de amar, sem mesmo saber.
Nunca deixei de viver, sem mesmo saber, tantas e
tantas vidas em ti, Gaia.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Silêncio
Porque o silêncio me envolve
Em palavras que não escuto
Em sons que me escondem de mim
Na nudez da verdade
Porque o silêncio me despe
Nas fronteiras do ruído da mente
Me estrangula no sufoco da voz
Me desnuda de mim
Porque eu sou
A nudez do silêncio
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
A dança
Durante o sono das estrelas
Entoavas o eco do amor
Dançavas a música do mar
Acarinhavas o espírito da terra
E quando mergulhavas na embriaguez do silêncio
Da noite vadia, caída e fria
Ouvias ao longe a música dos índios
E dançavas a linguagem da selva
Dançavas, assim, sem condições
Como o bailado na noite das arpas
Como a música na noite dos pássaros
E Amavas, assim
Dançando
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Saudade
Quando desenhei a saudade em folhas brancas
E soltei-as no dia dos ventos gélidos do norte
pensei
seria talvez o fim do sentir a dor da ausência
Quando no horizonte desapareceram as folhas
Rascunhadas daquela saudade cravada nas lembranças
Senti a tua não existência
Daquela que seria a mais bela memória
Desprendi a saudade em folhas brancas
Deixei que as marés as levassem
E o meu coração se acomodasse
No fim do adeus
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Renascer
Se nem os vulcões te deixaram sem verde,
nem as chuvas te afogaram no mar.
Se nem os ventos te levaram a luz
e as lágrimas apagaram a coragem
Vamos plantar o verde da ilha
Vamos renascer das cinzas o perfume da terra
E beber nas tuas fontes a esperança
sexta-feira, 15 de julho de 2016
A Canção
Cantava a canção de um qualquer país
E de todos os países
Mesmo com palavras nem sempre audíveis
Cantava
A canção de qualquer mundo perdido
Trazia a melodia fresca
Vinda de uma qualquer fonte angelical
Na canção presente em todas as almas
E tão sempre desconhecida
Ressoava sonolenta nas dores humanas
Cantava
Sugerindo deuses nos homens
Esquecido da maldosa ignorância
Abafando o ruído da dor
Cantava as lágrimas da alma
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Um novo mundo
Sei que um dia existirá um novo mundo
Aquele onde a sabedoria dos índios renascerá
E a dança dos homens ao som do canto das baleias
Trará os templos da Atlântida
No novo mundo
as pérolas brilharão no olhar da humanidade
Em harmonia com a perfeição do cosmos
Tudo se iluminará ao ritmo perfeito das estrelas
Numa nova terra, com novos mares
Onde o bálsamo das flores desperta o coração dos homens
Queima-se a ignorância, o mal e o medo
Liberta-se o amor e tudo se integra
Na mais completa harmonia Universal
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