segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Falei com as flores

 





Disseram-me as flores

Que eu era infeliz por engano

Porque é minha a última luz do sol.


E eu, usei o perfume das rosas. 


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Turismo da Madeira e animais abandonados

Uma vez que não consigo ser insensível a nenhum ser vivo mal tratado, seja animal ou humano, mais uma vez, saí do supermercado do Lido Sol (perto da praia) com uma lata de comida para uma cadelinha que se encontrava ali abandonada, com vestígios de subnutrição.
Entretanto, um casal de estrangeiros veio ao meu encontro, nitidamente impressionado com o meu gesto, dizendo que estavam chocados com o número de animais abandonados e mal tratados espalhados pela ilha.
Perguntaram-me se era italiana, pelos vistos não queriam acreditar que uma madeirense estivesse a ajudar um cão abandonado. Censuraram a atitude dos madeirenses em geral, sem conseguirem perceber como ainda é possível este tipo de comportamento, num país inserido na desenvolvida Europa.
A única coisa que consegui dizer-lhes foi, que a evolução mais difícil de fazer é a da consciência e nesse aspecto, estamos ainda num estado muito primitivo. Evoluímos só nas aparências e é para isso que vivemos. Alguém que não respeita (já nem falo em amar) os outros seres vivos, está a anos-luz de uma consciência minimamente evoluída, seja na Europa ou fora dela.
Este casal afirmou deixar por escrito, na Secretaria do Turismo, o seu descontentamento em relação à forma como os madeirenses tratavam os seus animais e garantiram-me que cá não voltavam.
Infelizmente esta é a imagem que passamos aos nossos turistas.

 E eu, só me apeteceu passar por italiana. 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quem és






És tu, vestido de vento e perfumado de mar

Quem faz cair a noite e me perde no destino

Ensinando-me a beleza da solidão


És tu quem pinta o céu de luar

E me oferece o leito onde adormeço

Mergulhada em ti onde nasço


Pudesse eu despir a saudade 


Galgar esse mar

Deixar o perfume da flor que morreu

Na Semente sem chão para nascer


Pudesse eu saber quem és

E amar para não sofrer

Ou sofrer para não amar

domingo, 14 de julho de 2013

Voei







Sonhava que era a alma da ave azul,

Aquela com quem eu falava quando me faltavam as palavras para o mundo.


Mil vezes falei de mim,


Sem saber que sonhava.



E a poeira do tempo desvanecia o meu acordar 

e eu teimava dormir.


Perdi o medo e a pressa,

Perdi a morte e a vida


E voei para além do azul.


Com a alma daquela que me ouvia nas tempestades.

A alma da ave azul. 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Horizonte





Caminho nessa estrada sem identidade nem pátria, vestida de vento e perfume de mar, rumo a um horizonte trazido pela nostalgia de um ocaso.

Os meus olhos de sol sorriem diante do sabor da tristeza.  Porque com a tristeza encontro a  alegria e deixo levar-me na melodia do vento, rumo à liberdade do horizonte sem morada, onde entrego as palavras aos deuses.



sábado, 22 de junho de 2013

Um olhar







 
Olhei de volta para mim
Seriam as lágrimas de sal da criança que vi
Que me transportou de volta à humanidade dos homens
Deixando-me a lucidez da magia

Talvez se mandar embora o medo de olhar
E deixar a criança brincar de mulher
Eu consiga colher as estrelas e amar

sábado, 8 de junho de 2013

O som do silêncio







Lembro-me dos segredos do silêncio

Quando me aquietava no lusco-fusco do dia


E fugia dos ruídos do mundo

Ouvindo o som da brisa do mar



Era inteira na minha sede humana

Quando saía do profano e desvanecia o grito

Vindo de um rebuscado lugar do mundo

Quando a noite descia da montanha clamando



Lembro-me da doce paz desse som

Que me levava a calar a mente

E a sentir a inocência da melodia da flauta



Era o som da alma

Nos segredos do silêncio

sábado, 25 de maio de 2013

Desassossego





Será amor este desassossego
Que me leva a aceitar a solidão
Esperando um eco trazido pela vida

Entro na próxima taberna deste destino
Nesta incerta procura entre o sono e o sonho
Que me leva a querer amar-te sem saber amar

Sinto o aroma da terra na tua pele
E deixo o meu corpo ceder
Perdido nesse tempo sem tempo

Seria a hora do sol poente

E talvez te ame sem medo de amar



sábado, 11 de maio de 2013

VIAGEM






Não raras vezes paro na berma da estrada com a dúvida plantada no mapa da vida sem saber ao certo para onde ir.

Não raras vezes sinto a fadiga dessa viagem cansar-me a pele, e dou por mim de volta ao jardim com cheiro a jasmim.

Cerram-se-me os olhos cansados, e, na esteira da vida espero acalentar o sono, trazendo na noite tudo o que de belo amei.



domingo, 5 de maio de 2013

Homenagem a ti, mãe





 
Eu podia morar nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe



Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia



Quem sabe ouvir os grilos entoando a melodia 

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono



Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite

(Reedição)