sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Velhice

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Sou formas de uma vida
Olha-me,
rugas do tempo e do vento
Monta os destroços das muitas marés
Constrói-me as asas cansadas do mundo

Salva-me da morte por esquecimento
Perdoa-me
 as rugas da vida

Assim viverei eternamente
Na terra e no mar
Longe da indiferença das sombras


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Fronteiras


Veneza


Porque nem sempre consigo tirar as fronteiras das palavras, quando sinto aquela vontade vinda de um submundo desconhecido, de traduzir em palavras o que nem sempre é traduzível.  

Esse sentir para além dos horizontes da inquietação, que nasce e não raras vezes morre no mesmo momento, por falta de coragem.

Esse sentir a epopeia da vida que me faz escrever aquela poesia, que penso ser poesia porque está para além da lógica das coisas, e depois me faz calar com medo da incompreensão dos homens.

Na verdade, quero tirar as fronteiras das palavras.


terça-feira, 28 de julho de 2015



Sento-me no muro da praça azul e por entre as árvores da avenida, entre a estrada e o mar observo a vida passar. São pessoas anónimas (ou não), seguindo pelo asfalto escaldante num rodopio frenético que as faz transpirar cansaço, esquecidas que estão de viver.

E nesse observar desligado dou por mim recolhida da vida, presente no marasmo das horas que o verão da ilha me leva.


Vejo pessoas passar, silenciosas e sós.

E não existe nada, para além de mim a sós comigo.

    

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Palavras



Montenegro

Gosto da simplicidade,

da genuína simplicidade das palavras,

aquelas que até a natureza consegue traduzir,

aquelas que qualquer coração puro consegue ler
 

Gosto da simplicidade autêntica das palavras,

aquelas sem ego e vaidade,

Onde o vocabulário soa melodicamente

E a beleza toca-nos a pele

Qual arrepio em dia de calor


Sinto, lenta e calmamente,

Essa energia que me transporta

 para a magia de outros mundos

assim, simplesmente

Em palavras que sempre direi

 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Saudade

Foto de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography?fref=ts




Se eu pudesse trazer-te do ocaso

daquela tarde em que sorriste

trazendo o gosta das amoras.
 

Se eu pudesse voltar a amar-te

numa qualquer primavera com perfume de jasmim.
 

Seria talvez a forma

de guardar nas estrelas o teu sorriso de prata,

e mesmo que o outono um dia te levasse,

eu teria o firmamento para te recordar.

 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Acredito


Tocam os sinos na torre da igreja sobranceira ao mar. Clamam ave-marias nos fins de tarde que chamando as viúvas da terra, entregues ao medo da cruz.

Mas foi assim, num fim de tarde ao som dos sinos com o mar perfumado de sargaço rebentando ondas no ilhéu preto, que acreditei na vida de tudo, seja das plantas, do mar, das estrelas, até do rochedo preto com forma de leão, plantado no mar frente à igreja qual guardião da costa.

E continuei a acreditar, mesmo durante as iras de Posídon, em que desaparecias no mar nas noites de luas de prata e eu, plantada no muro da igreja te esperava, ouvindo a tua voz vinda de um buzio, que voltarias a viver.

Sendo eu dona legítima de tudo o que sinto, ainda acredito que tudo o que amo vive comigo para sempre.




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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Esquecer

Foto de JoanaCarvalho Photography

Deixei esquecer tudo o que perdi

Mesmo telas de vida que quis reviver

Quando as marés me traziam memórias azuis

E adormecia embalada nas correntes mornas

 
Deixei esquecer no silêncio as perdas

Entre a ausência e a presença do sonho
vivi a morte e a vida
 
No rio das memórias de onde fugi