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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts




Às vezes, quando aquela chuva vinda das terras do sem fim me humedece as entranhas como se de repente tudo ficasse sem cor, eu morro um pouco para a beleza, aquela beleza que sendo apenas minha, enfeita a terra de luz.


Mas, às vezes, quando renasce da lama a alma transformada em fénix, sim, quando da morte se vive a intensidade da vida, tudo, tudo se transforma em beleza e tudo vive as vidas do sem fim.


Nasce, ainda que adormecida, a compaixão.



quinta-feira, 17 de março de 2016

Saudade

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts

O vazio preenchido pela saudade

de quem procura na imensidão do céu a tua estrela.

Magoava-me a ferida dilacerada

do dia em que te perdi

nos mistérios da morte.


Mas hoje

quando a luz banhou de prata as ondas do mar

e no céu

uniram-se as mãos das plêiades

acabou-se a minha saudade vadia,

e eu vivi o teu renascer

no fulgor da Terra

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Carnaval

Imagem da Internet


Um dia chegaste trajado de Pierrot ao som de um samba melancólico. Trazias no peito a rosa brava e no coração o carnaval. Chegaste vestido de inocência, caminhando na praça com graça, a lágrima traçada no rosto.

Falaste-me dos carnavais do mundo, aqueles que te fizeram vestir camuflado de alegria, dentro de trajes de lantejoulas.

Um dia, num qualquer sambódromo do mundo o carnaval te levou. E eu trajei-me de Columbina.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Na minha aldeia

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/?fref=ts (Norte da Madeira)


Quando o ocaso descia na aldeia e a montanha se iluminava de mornos raios laranja, chamando os coelhos para fora das tocas, voltavam para casa os filhos da terra. Era o sol dos coelhos à hora das ave-marias cantadas na igreja.

As mulheres nas soleiras das portas, aqueciam seus corpos na hora do penteado das feiticeiras, esperando seus homens que rasgando caminho corriam para seus colos.

Caía o mais severo silêncio enquanto esmoreciam os últimos raios de sol e cada instante era festejado na eternidade do orgasmo.


Quando o frio respondia da montanha e os coelhos recolhiam às tocas, deixavam estes homens as suas mulheres, prenhas de tristeza e saudade e tudo se transformava em tempo até o próximo sol.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A ti

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Disseste um dia que serias céu e mar
E que eu seria o falcão de penas azuis
Esculpido no céu
Também disseste que me amarias,
mesmo lá do alto,
mesmo  durante o silencio do universo
Mesmo durante a saudade da partida
Mesmo durante a morte

Sabias bem amar-me
Porque sabias que o céu te acolheria
Sem que eu conseguisse acreditar na perda
Da vida talvez, do amor nunca

Quando a chuva passar
Ver-me-ás cruzar o céu
Na dança do tempo e do vento

Aquele falcão de penas azuis
A tua ave azul.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Vejo-te

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/



O que queres que eu saiba hoje?
Do pássaro azul que me visita?
Do sol morno do alvorecer que me toca a pele?
Do vento fresco do norte que me traz a maresia das marés?

Vem mostrar-te nesta neblina que por vezes me encontro
Ensina-me a ver-te quando os meus olhos cegam na escuridão
E eu aprenderei a linguagem do pássaro azul
Voarei livre da escravidão

E tu virás nas marés altas,
Com o perfume das algas.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Era a tua voz


https://www.facebook.com/joanitacarvalho?fref=ts


Reconheci a tua voz, eco de tempos longínquos. Eras tu, belo, sábio, firme.

Era a tua voz, aquela que ao longo de vidas amei e venerei, que nas noites de densa escuridão me sussurrava a música dos anjos. Sim, mais uma vez ouvi-te, no silêncio, qual eco no firmamento.

Senti-te na leveza do vento marítimo, no perfume das algas, o teu toque subtil e doce, para que não me esquecesse (outra vez) que estavas aqui, que sempre estiveste.

E mais uma vez ouvi a tua voz, aquela que me aqueceu a alma arrefecida pelo esquecimento.

Obrigada.