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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A ti

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/
Disseste um dia que serias céu e mar
E que eu seria o falcão de penas azuis
Esculpido no céu
Também disseste que me amarias,
mesmo lá do alto,
mesmo  durante o silencio do universo
Mesmo durante a saudade da partida
Mesmo durante a morte

Sabias bem amar-me
Porque sabias que o céu te acolheria
Sem que eu conseguisse acreditar na perda
Da vida talvez, do amor nunca

Quando a chuva passar
Ver-me-ás cruzar o céu
Na dança do tempo e do vento

Aquele falcão de penas azuis
A tua ave azul.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Vejo-te

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography/



O que queres que eu saiba hoje?
Do pássaro azul que me visita?
Do sol morno do alvorecer que me toca a pele?
Do vento fresco do norte que me traz a maresia das marés?

Vem mostrar-te nesta neblina que por vezes me encontro
Ensina-me a ver-te quando os meus olhos cegam na escuridão
E eu aprenderei a linguagem do pássaro azul
Voarei livre da escravidão

E tu virás nas marés altas,
Com o perfume das algas.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Era a tua voz


https://www.facebook.com/joanitacarvalho?fref=ts


Reconheci a tua voz, eco de tempos longínquos. Eras tu, belo, sábio, firme.

Era a tua voz, aquela que ao longo de vidas amei e venerei, que nas noites de densa escuridão me sussurrava a música dos anjos. Sim, mais uma vez ouvi-te, no silêncio, qual eco no firmamento.

Senti-te na leveza do vento marítimo, no perfume das algas, o teu toque subtil e doce, para que não me esquecesse (outra vez) que estavas aqui, que sempre estiveste.

E mais uma vez ouvi a tua voz, aquela que me aqueceu a alma arrefecida pelo esquecimento.

Obrigada.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Velhice

Fotografia de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography

Sou formas de uma vida
Olha-me,
rugas do tempo e do vento
Monta os destroços das muitas marés
Constrói-me as asas cansadas do mundo

Salva-me da morte por esquecimento
Perdoa-me
 as rugas da vida

Assim viverei eternamente
Na terra e no mar
Longe da indiferença das sombras


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Fronteiras


Veneza


Porque nem sempre consigo tirar as fronteiras das palavras, quando sinto aquela vontade vinda de um submundo desconhecido, de traduzir em palavras o que nem sempre é traduzível.  

Esse sentir para além dos horizontes da inquietação, que nasce e não raras vezes morre no mesmo momento, por falta de coragem.

Esse sentir a epopeia da vida que me faz escrever aquela poesia, que penso ser poesia porque está para além da lógica das coisas, e depois me faz calar com medo da incompreensão dos homens.

Na verdade, quero tirar as fronteiras das palavras.


terça-feira, 28 de julho de 2015



Sento-me no muro da praça azul e por entre as árvores da avenida, entre a estrada e o mar observo a vida passar. São pessoas anónimas (ou não), seguindo pelo asfalto escaldante num rodopio frenético que as faz transpirar cansaço, esquecidas que estão de viver.

E nesse observar desligado dou por mim recolhida da vida, presente no marasmo das horas que o verão da ilha me leva.


Vejo pessoas passar, silenciosas e sós.

E não existe nada, para além de mim a sós comigo.

    

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Palavras



Montenegro

Gosto da simplicidade,

da genuína simplicidade das palavras,

aquelas que até a natureza consegue traduzir,

aquelas que qualquer coração puro consegue ler
 

Gosto da simplicidade autêntica das palavras,

aquelas sem ego e vaidade,

Onde o vocabulário soa melodicamente

E a beleza toca-nos a pele

Qual arrepio em dia de calor


Sinto, lenta e calmamente,

Essa energia que me transporta

 para a magia de outros mundos

assim, simplesmente

Em palavras que sempre direi