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terça-feira, 28 de julho de 2015



Sento-me no muro da praça azul e por entre as árvores da avenida, entre a estrada e o mar observo a vida passar. São pessoas anónimas (ou não), seguindo pelo asfalto escaldante num rodopio frenético que as faz transpirar cansaço, esquecidas que estão de viver.

E nesse observar desligado dou por mim recolhida da vida, presente no marasmo das horas que o verão da ilha me leva.


Vejo pessoas passar, silenciosas e sós.

E não existe nada, para além de mim a sós comigo.

    

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Palavras



Montenegro

Gosto da simplicidade,

da genuína simplicidade das palavras,

aquelas que até a natureza consegue traduzir,

aquelas que qualquer coração puro consegue ler
 

Gosto da simplicidade autêntica das palavras,

aquelas sem ego e vaidade,

Onde o vocabulário soa melodicamente

E a beleza toca-nos a pele

Qual arrepio em dia de calor


Sinto, lenta e calmamente,

Essa energia que me transporta

 para a magia de outros mundos

assim, simplesmente

Em palavras que sempre direi

 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Saudade

Foto de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography?fref=ts




Se eu pudesse trazer-te do ocaso

daquela tarde em que sorriste

trazendo o gosta das amoras.
 

Se eu pudesse voltar a amar-te

numa qualquer primavera com perfume de jasmim.
 

Seria talvez a forma

de guardar nas estrelas o teu sorriso de prata,

e mesmo que o outono um dia te levasse,

eu teria o firmamento para te recordar.

 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Acredito


Tocam os sinos na torre da igreja sobranceira ao mar. Clamam ave-marias nos fins de tarde que chamando as viúvas da terra, entregues ao medo da cruz.

Mas foi assim, num fim de tarde ao som dos sinos com o mar perfumado de sargaço rebentando ondas no ilhéu preto, que acreditei na vida de tudo, seja das plantas, do mar, das estrelas, até do rochedo preto com forma de leão, plantado no mar frente à igreja qual guardião da costa.

E continuei a acreditar, mesmo durante as iras de Posídon, em que desaparecias no mar nas noites de luas de prata e eu, plantada no muro da igreja te esperava, ouvindo a tua voz vinda de um buzio, que voltarias a viver.

Sendo eu dona legítima de tudo o que sinto, ainda acredito que tudo o que amo vive comigo para sempre.




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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Esquecer

Foto de JoanaCarvalho Photography

Deixei esquecer tudo o que perdi

Mesmo telas de vida que quis reviver

Quando as marés me traziam memórias azuis

E adormecia embalada nas correntes mornas

 
Deixei esquecer no silêncio as perdas

Entre a ausência e a presença do sonho
vivi a morte e a vida
 
No rio das memórias de onde fugi
 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Primavera


 

 
Um dia ela chegou à minha janela,

a primavera

Esvoaçando o sorriso das flores

Pássaros espalhando preguiça

A orquestra de ecos vindos do promontório

E tanto mar a escorrer poesia

E eu,

 que me julgava no inverno das minhas fraquezas

Embevecida

 bebi e comi

O mais belo banquete da natureza

 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Outra visão


 
Foto de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography?fref=photo
 
 
 


Caminhei em busca de um outro prisma

Subi a montanha procurando o espaço entre a terra e o céu

Sentindo e leveza da distância que me fazia compreender

A verdade

A linguagem das cores

Descrita com sonoridade pela beleza que me descrevia a natureza

E mais subia na frescura do orvalho e escolhia ser luz

Até me encontrar encontrando-te

Até viver vivendo-te