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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Acredito


Tocam os sinos na torre da igreja sobranceira ao mar. Clamam ave-marias nos fins de tarde que chamando as viúvas da terra, entregues ao medo da cruz.

Mas foi assim, num fim de tarde ao som dos sinos com o mar perfumado de sargaço rebentando ondas no ilhéu preto, que acreditei na vida de tudo, seja das plantas, do mar, das estrelas, até do rochedo preto com forma de leão, plantado no mar frente à igreja qual guardião da costa.

E continuei a acreditar, mesmo durante as iras de Posídon, em que desaparecias no mar nas noites de luas de prata e eu, plantada no muro da igreja te esperava, ouvindo a tua voz vinda de um buzio, que voltarias a viver.

Sendo eu dona legítima de tudo o que sinto, ainda acredito que tudo o que amo vive comigo para sempre.




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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Esquecer

Foto de JoanaCarvalho Photography

Deixei esquecer tudo o que perdi

Mesmo telas de vida que quis reviver

Quando as marés me traziam memórias azuis

E adormecia embalada nas correntes mornas

 
Deixei esquecer no silêncio as perdas

Entre a ausência e a presença do sonho
vivi a morte e a vida
 
No rio das memórias de onde fugi
 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Primavera


 

 
Um dia ela chegou à minha janela,

a primavera

Esvoaçando o sorriso das flores

Pássaros espalhando preguiça

A orquestra de ecos vindos do promontório

E tanto mar a escorrer poesia

E eu,

 que me julgava no inverno das minhas fraquezas

Embevecida

 bebi e comi

O mais belo banquete da natureza

 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Outra visão


 
Foto de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography?fref=photo
 
 
 


Caminhei em busca de um outro prisma

Subi a montanha procurando o espaço entre a terra e o céu

Sentindo e leveza da distância que me fazia compreender

A verdade

A linguagem das cores

Descrita com sonoridade pela beleza que me descrevia a natureza

E mais subia na frescura do orvalho e escolhia ser luz

Até me encontrar encontrando-te

Até viver vivendo-te

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Simplesmente




Há quanto tempo não parava o tempo

Num simples gesto de colher uma flor

e simplesmente sentir

Só eu, agora, e esse perfume

Ausente de passado

de ambições e projeções

A simplesmente ser

Uma flor com flor


Há quanto tempo não colhia uma flor

Que me fez parar a vida

No sussurro da ilha

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Os meus eus

Foto de https://www.facebook.com/JCarvalhoPhotography?fref=ts

De tanto viajar ao meu eu

acabei por encontrar vários eus

Que dirá o filósofo

 quando ouvir a canção nostálgica de um dos meus eus,

Ou a dança indígena, ou o riso infantil, ou as sombras camufladas.


Sem falar do desterro de um outro eu,

que de tanto sofrer libertou-se da humanidade.


E eu que pensava saber de mim, das flores,

do céu e do mar

das árvores

Da vida e não vida, do amor e amor


Afinal, que dirá o filósofo

De mim em busca de nós

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Obrigada



Apenas vós me vistes por dentro
Me ouvistes nos abafos e desabafos

Com o direito que vos confere a ser parte de mim

Apenas vós fizestes eco na minha alma

Saciando-me com o pão partilhado

Mergulhando-me na ebriedade do vinho

Celebro convosco, hoje, 13,

Cinquenta anos de existência