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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Espera


Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography


 
Talvez se eu esperar o tempo parar

Tu chegues com o sol no olhar

E eu exista na tua pele

Ainda que enrugada por marcas de vida


Mas,

 todos os dias na hora marcada

Procuro respostas de ti na areia

E deito-me despida, vazia, caída

Alheia que estou à próxima maré



Lancei raízes pelo oceano

E só para ti nasceram as rosas



 
 
 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Estações

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography




Pregada na estação

A viuvez trazida no som dos carris
A saudade dorida na lenta espera

E esse comboio que não te encontra nas estações perdidas

Herói errante
Caminhante da vida

Desperta-me a melodia longínqua de um acordeão

Trazendo-me um velho tango

Numa dança mesclada de tristeza e paixão

No vazio entre um e outro comboio

Surpreendi a lua na estação vazia

E fugi, para curar a dor



quarta-feira, 28 de maio de 2014

AMOR




Porque um dia serei pó na brisa salgada

Que me leve o vento

na primavera,

Que ouçam os pássaros

o meu canto,

Entoem os sinos

a ave maria,

E eu nascerei desse pó salgado

Sorrirei nas flores do teu jardim
Falarei nas ondas da tua praia

E se um dia cantarem as sereias

Saberás que vivo eternamente


domingo, 4 de maio de 2014

Mãe



Eu podia morar nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe

Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia

Quem sabe ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono

Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite


terça-feira, 15 de abril de 2014

Desencontros

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography





Esta arte de perder-me nos cruzamentos

É a arte do desencontro

Desencontrei-me no cruzamento de vidas

Mesmo quando te encontrei na berma de um sonho
Carente que estava de sentir


Voltei ao labirinto perdendo-me entre a morte e a vida

Inseparável que estava da solidão


Talvez cure as asas feridas

E me encontre desses desencontros

Nos meus castelos de mar











sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vigília

Foto de Alvega Trindade




Navego de lua em lua
Fugindo ou não da futilidade
Procuro a melhor versão de mim
Calo a alma numa liturgia
Que me embala num sono inquieto
E esconde as mazelas da devoção cega
 
Na vigília, vivo da fome de mar
Companheira da ilha, cúmplice do vulcão


 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Não fosse essa poesia...




O remorso fundido na saudade




Vindo de uma morte que de morte viveu




O remorso de ter-te vivido em mim




Sem um adeus que só Deus me alivia









Queria eu morrer em cada lugar

E nascer em cada amanhecer 

Na terra e no mar

Necessários à dor


Ainda que nas tuas cinzas semeie gardénias

Faço-te criação da saudade

Enrosco-me na escravidão do remorso

Não fosse essa poesia que me recordas...