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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Estações

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography




Pregada na estação

A viuvez trazida no som dos carris
A saudade dorida na lenta espera

E esse comboio que não te encontra nas estações perdidas

Herói errante
Caminhante da vida

Desperta-me a melodia longínqua de um acordeão

Trazendo-me um velho tango

Numa dança mesclada de tristeza e paixão

No vazio entre um e outro comboio

Surpreendi a lua na estação vazia

E fugi, para curar a dor



quarta-feira, 28 de maio de 2014

AMOR




Porque um dia serei pó na brisa salgada

Que me leve o vento

na primavera,

Que ouçam os pássaros

o meu canto,

Entoem os sinos

a ave maria,

E eu nascerei desse pó salgado

Sorrirei nas flores do teu jardim
Falarei nas ondas da tua praia

E se um dia cantarem as sereias

Saberás que vivo eternamente


domingo, 4 de maio de 2014

Mãe



Eu podia morar nas asas dos falcões

Viver o êxtase das aves solitárias

Rumo ao inevitável caminho do céu

Onde te encontraria, mãe

Eu podia viver o sol purpura entrando na noite

E sentir o brando silêncio trazido pela brisa

No sono da morte deliciosamente misteriosa

Onde te encantaste um dia

Quem sabe ouvir os grilos entoando a melodia

Que me cantaste num outro tempo

E pedir ao vento que te devolva

Desse secreto e constante sono

Mas, vou viver a tua morte, mãe

E conquistar a tua paz sem chorar a noite


terça-feira, 15 de abril de 2014

Desencontros

Fotografia de https://www.facebook.com/#!/JCarvalhoPhotography





Esta arte de perder-me nos cruzamentos

É a arte do desencontro

Desencontrei-me no cruzamento de vidas

Mesmo quando te encontrei na berma de um sonho
Carente que estava de sentir


Voltei ao labirinto perdendo-me entre a morte e a vida

Inseparável que estava da solidão


Talvez cure as asas feridas

E me encontre desses desencontros

Nos meus castelos de mar











sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vigília

Foto de Alvega Trindade




Navego de lua em lua
Fugindo ou não da futilidade
Procuro a melhor versão de mim
Calo a alma numa liturgia
Que me embala num sono inquieto
E esconde as mazelas da devoção cega
 
Na vigília, vivo da fome de mar
Companheira da ilha, cúmplice do vulcão


 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Não fosse essa poesia...




O remorso fundido na saudade




Vindo de uma morte que de morte viveu




O remorso de ter-te vivido em mim




Sem um adeus que só Deus me alivia









Queria eu morrer em cada lugar

E nascer em cada amanhecer 

Na terra e no mar

Necessários à dor


Ainda que nas tuas cinzas semeie gardénias

Faço-te criação da saudade

Enrosco-me na escravidão do remorso

Não fosse essa poesia que me recordas...






quinta-feira, 13 de março de 2014

Deixei as palavras



Deixei as palavras obscenamente silenciosas
Lancei-as no vácuo das almas sombrias

E escrevi solidão e silêncio

Num consolo fictício 


Não deixei as palavras falarem de mim

Caíram no papel gélido, procurando vida

Morreram, nasceram, partiram

Indiferentes que estavam ao pensamento


Eram só palavras

levando pedaços de mim

Sem nome nem rosto

Deixei as palavras à beira do porto

No adeus da próxima maré