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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DESPRENDIMENTO






Desprendo-me da vida, largada num tempo sem tempo, onde o passado se esfumou em cenas efémeras e o futuro se tornou presente

Desprendo-me na impermanência da vida, que se fez sofrida nos últimos epílogos, E canto o último adeus a um deus que o mundo criou na metáfora.

Desprendo-me das palavras que vestem a canção na combinação do som e do silêncio, e neste desapego de emoções nuas, entoo a dança que me encaminha para o último enigma do planeta... a vida.

E a plateia sorri no fim do acto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Diz-me onde estou, pai





Diz-me tu, o que o meu pensamento vomita,
Fecundando as emoções ainda virgens,
Vestindo um ego repleto de medo.


Diz-me, pai, o que o meu coração não quer calar
E o meu cansaço não deixa ver
Neste mundo
Que aguarda o retorno dos pássaros.


Nas entrelinhas leio a explosão da terra,
Ferida,
Onde lágrimas de seiva escorrem,
Mudando a paisagem numa gestação de ironias.


Diz-me pai, a saída da treva,


Mostra-nos
As nascentes da luz


Diz-me onde estou…pai


domingo, 14 de outubro de 2012

Noite





Nesse escuro luminoso,
 vestido de prata,
Sinto-te chegando,
confundido nas sombras dos cedros,
Dançando
 ao som da melodia longínqua
  de uma bruxa perdida.

Sinto-te tão perto,
 nessa noite mística perdida no profano,
Que até o silêncio do vampiro
 canta a balada da luz
E a dança das estrelas cria rosas no céu,
E vejo-te
Na névoa de luz que te molda o rosto

E a noite canta o hino dos búzios 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Esse mar






Procurei-me em ti,
 esculpi-me na tua pele,
criei-me no teu olhar
E respirei o teu ar de rosas,
 num sorriso rasgado de sol
 Procurei-me tanto em ti,
 que num viver orgástico esqueci de mim,
Entregando-me num vazio de sonhos,
 que o riso das baleias me despertou,
E despertou-me esse  mar,
 na melodia das marés
Que me acolheu como sendo seu
E onde,
 num qualquer dia perfumado de sal
me encontrei