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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poeta






Sentada no cais da praia, as ondas murmuram-me vozes de um mundo sem começo nem fim, de uma simples e ingénua existência. Murmuram-me vozes da alma de um poeta, que escreve na espuma branca palavras brilhantes de cristais salgados.

Sinto palavras vaguearem nas cristas das ondas, palavras que de tão simples, difíceis se tornam, palavras que procuram a expressão da sabedoria, que nem aquele mar vestido de mistério e beleza consegue traduzir.

Sentada no cais da praia, sinto essa alma do poeta, aquele que fala da vida para a vida, aquele que vê para além do mar, que entrega ao vento palavras simples, que brilhantes de sal procuram a beleza de uma alma singela, num mundo de intensas maresias.

E é nesse mar profundo, que as ondas levam os desabafos daquele que um dia foi trovador, imortalizado na brisa salgada, perpetuado na simplicidade das palavras, que de tão singelas desmembram os verbos feitos em castelos de areia.      



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Quando deixar de voar





Quando deixar de voar
Batam palmas e entoem canções
Dancem a dança da luz
Pois estarei viva
Nas asas da última ave

Quando deixar de voar
Dancem ao som de tambores
Porque as minhas asas bailam
No lusco-fusco do tempo

Quando deixar de voar
Desprendam gargalhadas ao vento
Cantem cânticos de alegria
Porque continuarei viva
Nas asas do último falcão


domingo, 22 de janeiro de 2012

Horizonte





Subo a montanha em busca de um horizonte
Onde a terra e o mar se unem em harmonia  
Subindo desprovida de fardos
 
Deixei o supérfluo de uma jornada
Carregada de densa carga humana
                                                                                                                                                        
E quando finalmente piso o topo
Vejo a terra e o mar se fundirem
Num horizonte que me possui
   
Assim trajada de liberdade
Inicio enfeitiçada
Uma nova caminhada
 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A última hora da luz do sol








E de repente, o calor tornou-se morno
As árvores vestiram de amarelo
E as florestas
 lentamente descamparam
Sentindo a última hora da luz do sol

De repente,
 o homem sentiu o frio morno
Da progressiva ausência da luz
Qual morte trajada de frágil claridade
Na última hora da luz do sol

E assim
 vislumbrou no ténue horizonte
o espectro do último arco-íris
 No lusco-fusco do tempo

 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Uma vez apeteceu-me escrever





Uma vez apeteceu-me escrever
Sobre o mar, o sol e o mundo
E escrevia a preto e branco
O que de colorido havia


Uma vez apeteceu-me escrever
O que ditavam os meus olhos
E esculpia as letras de preto
E pintava as palavras de branco


Escrevia na cegueira da visão
Com palavras escritas no branco
De um mundo visto da quimera
Que a minha alma teimava calar


Mas, uma vez apeteceu-me escrever
A visão da minha alma
E apaguei o branco das palavras
E colori o mundo, o mar e o sol
E pintei as aves do céu


Nesse dia apeteceu-me escrever
O esculpido das cores da vida
Apeteceu-me escrever o amor
Nas palavras de branco pintadas
 
E escrevi, escrevi, escrevi…

sábado, 7 de janeiro de 2012

Adeus


E assim a vida te levou
Ensinando-me a dizer adeus
Deixando apenas a sombra
De quem dramaticamente amou

Despedia-me do teu sabor
E sentada na vida olhando o vazio
Discuti com Deus   
Esperando-te de um qualquer infinito

Assim dizia-te adeus,
Adeus ao que se tornou passado
Sepultado num túmulo de rosas brancas

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Silêncio


national geographic
Canto o silêncio de cada respiração
E nos intervalos das palavras
Canto a mudez omnipresente da paz
Ouvindo a sabedoria do silêncio

No silêncio da voz encontro a paz
E no ruído do mundo encontro o sossego
Que vestido de estrupido profundo
Canta a voz imensa do silêncio

Na mudez dos seres ouço a mansidão
Das almas submersas na pele
Num samba nostálgico sinto a serenidade
De um silêncio camuflado no sensual

E neste nada silencioso transcendo
Num encontro de amor comigo
Vibrando para além do som
Nas águas mansas da paz